No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Reza a lenda que foi um árabe, há mais de mil anos,…
Seguimos caminho por Guimarães, berço de Portugal e guardiã de memórias antigas….
Um jantar em casa de uma colega. A comida foi boa. A conversa, como sempre, foi uma deambulação diversa. A escola é sempre um tema recorrente, mais alguma má-língua, e outras futilidades. De um, não apreciei a permanente guerrilha latente nas suas intervenções. Revelou-se mesmo desagradável, rancoroso, estava num dia mau. Mas o que na verdade sinto em relação a estes encontros é um sentimento de desagrado e vazio. Pouco me diz passar umas quatro horas à volta de uma mesa a comer e a beber sem um vislumbre de algo belo e inteligente. Um outro repetiu umas vinte vezes que a música de Bach lhe lembrava uma roda dentada; outro, que decerto nunca comprou um disco ou um livro, nada dizia que valesse a pena ser dito; o mais velho exprimia o que a cada momento achava mais conveniente dizer; o mais novo desancava nos heróis, repetindo que eram invenções de lendas ideológicas. Que desalento! E interrogo-me se o problema não está em mim. Se não sou eu que projeto nos outros as minhas frustrações. Mas penso que ainda sei reconhecer a beleza, a bondade e a amizade. Valores cada vez mais difíceis de reconhecer na vida social. É tudo tão superficial, tão medíocre, tão incompleto!
Mas com a despedida dos convidados não findou a história do jantar. A minha colega pedira-me, um pouco antes, que ficasse para mais um copo. Não disse que não. Até porque de casa dela à minha não são mais de quinze minutos a pé. Os outros não moram na Costa. Ajudei-a a varrer da mesa os pratos, travessas, o resto de comida, enquanto uma janela aberta arejava o ambiente. Quando acabámos de empilhar tudo sobre o lava loiça da cozinha, ela colocou na toalha, entretanto sacudida, dois copos e uma garrafa. E disse o que queria, sem rodeios. Sexo. Fui apanhado de surpresa. Por tudo. Porque tenho andado mais tranquilo da pulsão biológica, e porque nunca dela suspeitara de algum interesse particular por mim. Conversamos, é verdade, nos curtos intervalos das aulas, mas mais nada. Ontem disse-me que fora traída pelo namorado, e pelo vistos durante algum tempo sem ela saber, e que desde o rompimento vivera como uma viúva desmotivada. Da garrafa de vinho encheu os dois copos de um vinho bem perfumado, e elevando o dela tocou no meu num brinde. Eu, calado. Sem reação. A escutá-la. Aproximou-se. Olhei-a, suponho que sem expressão, neutro. Mas ela interpretou-me mal. Perguntou-me se não a achava suficientemente atrativa. E começou a despir-se, sem pudor, sem contenção. Respondi-lhe que a achava atraente, mas que era comprometido e que não me apetecia. Fez má cara. Achei-a, de repente, grotesca na sua nudez, de copo na mão e rosto desfigurado. Fui-me embora.
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
João Ferreira da Cruz
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
Clara Gomes, pediatra no Hospital CUF Viseu
por
Ricardo Almeida Henriques