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Galo de Barcelos e Salazar ‘confrontam-se’ no Teatro Viriato

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 Galo de Barcelos e Salazar ‘confrontam-se’ no Teatro Viriato - Jornal do Centro
29.05.24
fotografia: Jornal do Centro
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 Galo de Barcelos e Salazar ‘confrontam-se’ no Teatro Viriato - Jornal do Centro
29.05.24
Fotografia: Jornal do Centro
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 Galo de Barcelos e Salazar ‘confrontam-se’ no Teatro Viriato - Jornal do Centro

O espetáculo “Cantar de Galo”, da companhia Mala Voadora, coloca em cena o Galo de Barcelos em confronto com o ditador Salazar, num vídeo alterado para “manipular um fascista para que diga a verdade”. A peça vai na segunda apresentação no Teatro Viriato, em Viseu, esta quarta-feira (29 de maio).

O ator Jorge Andrade, que dirige o projeto, dá corpo ao galo ressuscitado e também emprestou cara e voz, depois manipulada digitalmente através da técnica do ‘deepfake’, ao ditador português.

O texto do espetáculo é do norte-americano Robert Schenkkan, que recebeu o Prémio Pulitzer de 1992 pela peça “The Kentucky Cycle”, criado durante uma residência artística no Porto.

“Eu pouco sabia do galo de Barcelos, da versão oficial. O Robert via estas prateleiras todas, cheias de souvenirs, e inteirou-se sobre aquela história, foi estudar. Houve ali uma intuição de a história não bater muito certo, e eu já sabia do António Ferro”, conta Jorge Andrade.

Assim, o público encontrará em cena um Jorge Andrade vestido de galo que conta a história ‘oficial’ da propaganda do Estado Novo, que António Ferro desenvolveu aquando de um Congresso Internacional da Crítica e que elevou uma história a símbolo nacional.

O conto, de que o galo, já morto e cozinhado, teria cantado três vezes e, com isso, salvado a vida de um peregrino condenado à forca é aqui contado até que o ditador interrompe o momento para discutir com o bicho.

“Pensei que, dentro destas coisas populistas e fascistas, de manipulação de massas com recurso a estas tecnologias, como as ‘troll farms’ que existiam, até antes de a Ucrânia ser invadida, podia ser bom dar-lhes do veneno que nos dão, manipular um fascista para dizer a verdade”, explica o ator.

Num registo que combina uma mesa de café, com cervejas e cigarros, com a conferência, as duas figuras travam-se de razões, até que o galo mostra a Salazar “como foi aldrabado”.

Salazar é, a certo ponto, confrontado com o seu gradual esquecimento, enquanto figura nefasta na História de Portugal, e para aqueles que procuram ‘ressuscitá-lo’ para mais do que fins satíricos, a resposta do espetáculo é “ele assumir a manipulação”.

“Como se convence as pessoas a passar mal e pobremente? Instiga-se esta coisa como se fosse uma cultura. ‘Não, a tua pobreza é uma honra de um tempo mais genuíno e mais próximo’. É aquela coisa de ‘o que faz falta é trabalhar’. Só que aquilo é inventado”, resume Jorge Andrade.

Este “orgulho nacional espetacularizado” dá-lhe um tom de vaidade, até pela aglomeração das figuras de Salazar e Ferro, por necessidade de manter o espetáculo num monólogo, e é aqui rebatido em cena, num duelo entre verdade e manipulação.

Do outro lado, um galo que questiona a sua história, que exige respostas, vem de um tempo medieval para encontrar na atualidade não só o turismo, mas também conceitos como a autoridade policial, o preconceito contra forasteiros, parte dos “maus velhos tempos”, como lhes chama, lembrando que a pena de morte ainda se pratica em países como o Irão, a China e os Estados Unidos.

“Então, acabaram-se os factos?”, pergunta, a dada altura, o galo a Salazar. “Quem é que quer saber dos factos?”, retorque o ditador.

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