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A GNR registou este ano mais de 1.650 crimes em ambiente escolar, dos quais cerca de 80 de bullying e ciberbullying, anunciou a corporação, que hoje se associa ao Dia Mundial de Combate ao Bullying.
Na área da sua responsabilidade, a GNR contabilizou este ano 72 ocorrências associadas à prática de bullying, sendo que Setúbal (10), Porto (nove), Castelo Branco e Lisboa (ambos com oito) e Santarém (sete) foram os distritos com maior número de casos.
Foram igualmente detetadas seis casos associados a ciberbullying, dividindo pelos distritos de Braga (dois), Setúbal (dois), Porto (um) e Santarém (um).
Nesta área de atuação, a GNR desenvolveu no ano letivo 2025/2026 cerca de 1.850 ações de sensibilização, abrangendo mais de 67.100 crianças e jovens, maioritariamente em contexto escolar, mais 23% face ao ano letivo anterior.
A GNR alerta que os sinais de alerta para estas situações são silenciosos e, por isso, aconselha pais, professores e todos os cuidadores a estarem atentos, por exemplo, a alterações de humor, abatimento físico e/ou psicológico, sinais de impaciência ou ansiedade, queixas físicas permanentes (dores de cabeça, de estômago, perturbações no sono, nódoas negras), irritabilidade extrema, ou qualquer outra mudança de comportamento.
“Tal como acontece com a saúde física, também a saúde mental exige cuidado e atenção”, aconselha a GNR, que alerta para a importância de promover a regulação das emoções, fomentar a capacidade de resiliência face a dificuldades e desenvolver a empatia, através da compreensão do outro e da criação de redes de apoio.
Sublinha que o papel da família, dos pares e das escolas é determinante e apela a um “acompanhamento atento” por parte da comunidade escolar, nomeadamente professores e psicólogos.
Defende ainda a normalização da procura de apoio psicológico e médico como “um gesto de coragem e autocuidado” e pede uma “escuta ativa”, onde os jovens se sintam seguros para partilhar as suas experiências e onde os seus sentimentos sejam validados, mesmo na ausência de soluções imediatas.
Pese embora o bullying não se encontre tipificado na legislação penal como crime, a GNR lembra que está associado a vários crimes, tais como as ofensas à integridade física, injúrias, ameaça e coação, correspondendo os dois primeiros aos comportamentos mais frequentes.
No Dia Mundial de Combate ao Bullying, a GNR aconselha os jovens a não serem cúmplices, denunciando as situações, promoverem o respeito e a inclusão entre os colegas e a adotar estratégias de segurança como andar sempre acompanhados frequentar locais que não sejam isolados, ignorando quem pratica estes atos e agindo com firmeza.
Quanto aos ciberbullying, a GNR aconselha a que se guarde sempre provas, mantendo os registos das mensagens ou conteúdos ofensivos, que nunca se responda às ofensas e não se partilhe casos de bullying. Apela ainda à denúncia destas situações.
Nestes casos, alerta os encarregados de educação para se manterem envolvidos na rotina escolar e digital das crianças, denunciando todas as suspeitas e guardando provas.
“A educação e segurança começa em casa”, avisa.