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Há quase duas décadas que foi deixado o compromisso, em Salamanca, do Corredor Atlântico entre Portugal e Espanha. O que falhou? Os governos não estão a conseguir mostrar união ou o problema está na União Europeia?
A União Europeia, desde 2013, que tem desenhadas todas as redes que deveriam ser criadas na Europa. E este Corredor Ibérico, que vai do Porto a Salamanca, tem de estar realizado antes de 2030. O que falta é o compromisso dos governos em impulsionar este corredor, tal como foi feito com o Corredor Mediterrâneo em Espanha que antes de entrar na rede internacional tem de estar feito até 2030. E é isto que temos de pedir aos dois governos, que unam forças, que façam os esforços necessários para que a linha Porto/ Aveiro/Viseu/Guarda e Salamanca com Irún, com França e com a Alemanha esteja em pleno funcionamento. O que estamos aqui a fazer com estas reuniões é reivindicar e fazer com que os governos coloquem este tema em cima da mesa.
Não é por falta de dinheiro?
O dinheiro há e muito. A Europa tem destinados mais de 40 mil milhões de euros para o financiamento na rede transeuropeia.
E corremos o risco de perder esse dinheiro?
Pois, sim, há o risco. Se antes de 2030 não estiverem feitas essas infraestruturas os governos vão ter de dar explicações. Não sei se têm de devolver ou não porque isso é a Comissão Europeia que tem de tomar a decisão. Em Espanha dizemos que corremos o risco de “nos tirarem as orelhas”… em França está a acontecer o mesmo, a ligação desde Bordéus até Irún está muito atrasada porque o governo francês não se compromete com essa ligação… Por isso o que nós queremos é que os governos de Espanha e Portugal se comprometam com os cidadãos de Portugal com os cidadãos de Espanha para que as ligações que estão decididas, e que denominamos como rede básica (para depois ser concretizada a rede transeuropeia) estejam em pleno funcionamento antes de 2030.
É a segunda reunião que há, uma espécie de Cimeira Ibérica, entre várias forças vivas dos dois países para não deixar que esta ligação seja esquecida. Qual a próxima ação que este grupo pode ter?
Decidimos hoje seguir juntos na reivindicação. Todas as infraestruturas nacionais têm de ser os governos a fazê-las. Nós, as forças locais, a única coisa que podemos é forçá-los a fazer. Ser reivindicativos com os governos para que cumpram o que comprometeram com a União Europeia e com os fundos que receberam. Por isso, o que têm de fazer é executar as obras.
Com eleições europeias à porta, é mais uma altura para levar este debate para a agenda?
Em 2023 ficou já praticamente concluído a redes dos mapas europeus do que será a rede internacional de transportes ferroviários e eles têm de estar aprovados pelo Parlamento Europeu antes das eleições em junho e nesses mapas está o corredor ibérico que vai do Porto até Salamanca e de Salamanca até Irún e de Irún até Alemanha e tem de estar feito antes de 2030. Esse é o compromisso feito por todos os governos da União Europeia. Entre os dias 2 e 5 de abril está agendada uma reunião entre todos os representantes dos nove corredores da rede transeuropeia para indicar quais são os prazos de execução desses mesmo corredores. Creio que os governos, que terão de estar presentes, têm de se comprometer efetivamente.
Não é curto o prazo?
O prazo não está desenhado de dezembro para cá. Está desenhado desde 2013, o que se passa é que nós somos os mais atrasados dos nove corredores da rede transeuropeia. A zona ibérica é a que mais atrasada está nas infraestruturas e, por isso, insisto, temos de forçar os nossos governos a cumprir com os compromissos.
No contexto geopolítoco e com os problemas na cadeia de abastecimento, não é tempo da Europa pensar não só neste corredor como também nas bases logísticas para não haver impactos económicos negativos?
É importantíssimo. Porque a chegada das mercadorias do resto do mundo são mais pelos portos atlânticos do que pelos portos mediterrâneos. Há um grave problema no Canal do Suez que impede o transporte das mercadorias vindo Oriente e se já tivéssemos as infraestruturas que temos reivindicado, tanto em Portugal como em Espanha, a entrada das mercadorias na Europa seria muito mais facilitada do que é atualmente. Portanto, esta é mais uma forma para mostrar aos nossos governos que é necessário acelerem a concretização de todas estas infraestruturas.