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Há serviços do Hospital de Viseu que ainda usam o papel para fazer registos

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 Antigo diretor da psiquiatria em Viseu Fidalgo Freitas morreu aos 78 anos
17.11.21
fotografia: Jornal do Centro
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 Antigo diretor da psiquiatria em Viseu Fidalgo Freitas morreu aos 78 anos
17.11.21
Fotografia: Jornal do Centro
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 Há serviços do Hospital de Viseu que ainda usam o papel para fazer registos

Vários serviços do Centro Hospitalar Tondela-Viseu ainda usam papel para fazer o registo dos doentes, em vez de usarem sistemas informáticos.

A denúncia é feita pela Ordem dos Enfermeiros, que já tinha alertado a administração do CHTV para esta situação há dois anos. A Ordem diz que nada mudou desde então e, por isso, voltou esta semana a fazer o alerta.

Segundo o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem, Ricardo Correia de Matos, a situação atinge os cuidados intensivos, o bloco operatório, o serviço do recobro, o bloco de partos e a urgência obstétrica “que, desde há muito tempo, estão a funcionar com registos em papel”.

“Alertámos há cerca de dois anos para as consequências negativas deste método de trabalho e foi-nos reportado na altura que estariam a aguardar a orçamentação para os equipamentos que suportam o sistema informático. A situação mantém-se até à data”, lamenta.

O enfermeiro defende que a pandemia da Covid-19 e as exigências ditadas pelo Regime Geral de Proteção de Dados obrigam a que o Hospital de Viseu digitalize todos os registos médicos, mas acrescenta que os registos em papel colocam em causa “a qualidade da informação clínica porque estamos a falar de um papel que pode desaparecer, ser adulterado com o tempo e acessível a qualquer pessoa”.

“Há aqui várias matérias éticas e deontológicas que estão postas em causa. Também estará em causa a continuidade dos cuidados porque uma das funções dos registos é garantir que os profissionais consigam ter acesso à mesma informação com a qualidade e fidelidade necessárias. Este formato coloca tudo em causa”, avisa.

Ricardo Correia de Matos alerta ainda para os efeitos na cadeia do fornecimento de medicamentos, em que as prescrições também são “feitas em papel e à letra individual de cada profissional que, muitas vezes, não é legível e é suscetível de erros de interpretação quer no tipo de medicamento quer na dosagem”.

“Nada disto garante o cumprimento das regras de segurança do medicamento, das pessoas e dos profissionais”, conclui.

Ricardo Correia de Matos responsabiliza não só aos administradores do Centro Hospitalar pela situação mas também às chefias dos serviços. O dirigente considera que o uso do papel é inadmissível e uma “irresponsabilidade” e acrescenta que nada justifica a passividade dos diretores.

Em resposta, o Centro Hospitalar Tondela-Viseu fala apenas da situação nos cuidados intensivos onde, garante, “adquiriu um programa informático específico que vai permitir proceder à informatização dos registos clínicos”.

“A operacionalização deste programa informático vai decorrer em paralelo com a ampliação do Serviço de Medicina Intensiva, cujas obras estão em curso”, refere a nota da administração.

O Centro Hospitalar acrescenta ainda que o acesso à Internet nos computadores usados no Hospital é, por motivos de segurança, “limitado aos sites indicados pelos vários profissionais dos serviços como necessários à sua atividade diária”.

Mesmo assim, a administração diz que, em todos os serviços, há computadores com acesso livre à Internet.

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