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Incêndios: Autarca de Penedono diz que 90% do território verde está negro

16.08.25
fotografia: Jornal do Centro
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16.08.25
Fotografia: Jornal do Centro
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O incêndio rural que atingiu Penedono queimou 90% da mancha verde daquele território e deixou os cerca de 3.000 habitantes, que vivem da agricultura e pecuária, sem sustento, disse a presidente da do município.

“Tenho 90% ou mais do território queimado, mas pronto, não chegou a nenhuma casa pelo menos, registamos isso”, adiantou à agência Lusa, às 17h25, a presidente da Câmara Municipal de Penedono, Cristina Ferreira.

A autarca do norte do distrito de Viseu acrescentou que “aquilo que era um território verde está negro, num concelho que vive da terra, da agricultura, das árvores, dos animais que ficaram sem alimento nenhum”.

Ainda ontem, a autarca social-democrata tinha deixado um apelo dramático a pedir mais meios porque o concelho estava “sem apoio”.

Atualmente com cerca de 3.000 habitantes, o município de Penedono tem na sua “principal atividade económica a castanha e o azeite – é a alavanca do concelho” – e ainda a amêndoa e a maçã.

Cristina Ferreira sublinhou que “a castanha, o azeite e a amêndoa são os principais produtos endógenos, que são a resiliência do concelho”.

“Este ano a quebra é total, porque os soutos estão todos queimados. As manchas de soutos, que é a visão que predomina no nosso concelho, estão completamente queimadas”, reforçou.

Cristina Ferreira disse que este incêndio “devastou económica e ambientalmente” o concelho, “porque não se pode só falar do desastre ecológico, mas sim da economia dos habitantes”.

“Nós já temos anos em que ficamos na expectativa se a castanha vai ter bom calibre ou vai ser boa. Este ano nem isso temos. Não temos castanha. Não sei como é que os produtores vão sobreviver. Onde é que vão comprar alimento para os animais? E a rega dos pomares? Como é que vai ser?”, questionou.

Ainda sem ter um levantamento feito, a autarca disse que o fogo, já sem frentes ativas, deixou um rasto “devastador”.

No que diz respeito ao abastecimento de água, “houve algumas situações que já estão resolvidas, tal como na energia, apesar de haver ainda umas situações pontuais”. 

O mesmo não se pode dizer das comunicações: “Estão muito más. Eu ainda vou conseguindo falar, tenho 91 [Vodafone] e em determinados locais ainda consigo conversar, mas quem tem 96 [Meo] não consegue estabelecer comunicações”.

Este incêndio que teve origem em dois – Sátão (distrito de Viseu) e Trancoso (distrito da Guarda) – tornou-se um só e alastrou-se a 11 municípios destes dois distritos: Sátão, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira (distrito de Viseu); Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Mêda, Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Coa (distrito da Guarda).

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