No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Reza a lenda que foi um árabe, há mais de mil anos,…
Seguimos caminho por Guimarães, berço de Portugal e guardiã de memórias antigas….
São cada vez mais e motivam também cada vez mais queixas os ataques de javali, que destroem várias culturas agrícolas na freguesia de Campia, no concelho de Vouzela.
Luís Lourenço, morador em Reigoso, Oliveira de Frades, mas com terras em Campia, é um dos queixosos. “Já não é a primeira vez que acontece. São cada vez mais os javalis. Isto tem piorado e de que maneira e todo o pessoal se queixa”, afirma ao Jornal do Centro.
O agricultor perdeu tudo o que tinha num terreno onde tinha semeado milho. Estima ter ficado sem “uns mil quilos de milho”. Não consegue calcular o valor monetário das perdas, que acontecem numa altura em que este cereal está cada vez mais caro.
“Tem sido uma coisa, tem sido todas as noites, até que está quase tudo destruído”, aponta.
“São cada vez mais os javalis por aí e torna-se um perigo, estragam tudo, as hortas, o milho, até nas estradas já tem havido carros a baterem e depois quem é que paga o carro? O milho ninguém paga”, lamenta.
Luís Lourenço já se queixou e pediu uma indemnização ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mas o organismo público afastou quaisquer responsabilidades, remetendo o caso para as associações de caçadores, que o agricultor também já contactou, até agora sem respostas positivas.
O presidente da Junta de Campia, Carlos Duarte, confirma que nos últimos tempos na freguesia têm-se registado mais estragos causados pelos javalis, “com terras inteiras de milho a irem à vida”. As queixas das populações têm aumentado e subido de tom. O autarca não consegue contabilizar o número de ataques e o montante dos prejuízos causados.
“Tem aumentado na freguesia e na região. As aldeias serranas estão a ser todas invadidas pelos javalis. Cada vez há menos gente nas terras e menos produção agrícola”, refere, considerando que este problema é acentuado pela desertificação e pelo abandono da agricultura, o que faz com que os animais se aproximem das aldeias.
“Depois deixam fazer caçadas aos javalis, mas há muitas restrições para as montarias e tem que se esperar muito para caçar os animais. Além disso, há poucos caçadores e a reprodução é muito grande”, acrescenta.
Já o presidente do Clube de Caça e Pesca de Campia, Arlindo Pereira Martins, estranha o aumento dos ataques nesta altura das colheitas.
“É um pouco lamentável e admirável porque na altura das sementeiras não havia nada e agora de repente, em agosto e setembro, houve aqui uma invasão de porcos bravos, que foi uma coisa fora do normal. Não sei de onde é que eles vieram. Há aqui algo que não bate certo”, afirma.
Segundo Arlindo Pereira Martins, as pessoas com perdas têm contactado o clube, que tenta organizar caçadas programadas para controlar esta praga.
“Já matamos alguns javalis, mas é difícil controlar todas as terras. É incontrolável isto. Tive uma vez até às duas da manhã numa terra que possuo e não apareceu nada. Quando lá passei de manhã tinha sido atacado”, conta.
“Não há controlo para isto, é impossível porque os porcos não têm território. Enquanto tiveram comida ficam aqui e depois vão para as outras terras”, refere, sublinhando que o cenário vai agravar-se ainda mais nos próximos tempos.
“Isto vai piorar muito porque cada vez há menos agricultores e os poucos terrenos que há cultivados eles atacam cada vez mais”, observa.
O dirigente do Clube de Caça e Pesca de Campia garante ainda que a coletividade não tem qualquer competência para indemnizar quem sofreu danos e avisa que se tiver que pagar esse prejuízo se demite de funções.
“Se fomos responsáveis não havia clubes nenhuns no país porque não somos nós que fomentamos esta caça. Se os clubes vierem a ser responsabilizados a primeira coisa que faço é fechar a porta, pegar as chaves da sede e entregá-las à Assembleia Geral e ao ICNF”, argumenta.