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Em dia de pausa, é a hora de balanços da Volta a Portugal em bicicleta. Na chegada a Viseu, o ciclista da equipa de Mortágua, João Matias, venceu a segunda etapa da prova mítica. Repetiu o triunfo na etapa que ligou Badajoz e Castelo Branco e está, assim, em primeiro na classificação por pontos, mas a mais de cinco minutos do camisola amarela, o uruguaio Mauricio Moreira.
Para uma análise ao que de mais importante se passou nos primeiros cinco dias de prova, o Jornal do Centro ouviu Nuno Bico. O antigo ciclista viseense mostra-se satisfeito pelo momento alto que vive João Matias. Numa análise ao percurso do velocista, Nuno Bico lamenta que só agora João Matias esteja a ser reconhecido. “As gerações sabiam do potencial [dele]. Ganhava muitas corridas nas camadas jovens, só que infelizmente a cabeça dos organizadores de corrida são proporcionais à dimensão do país. São pequenas. Em Portugal, todas as corridas têm de ter subidas e montanhas. Isso está altamente errado e o João teve anos muito difíceis na carreira por ter um físico apto para etapas planas e de sprint e não físico para subir grandes montanhas. Com os anos ganhou esse endurance. Está a ter agora estes resultados numa fase mais madura, mas poderia ter outros e muitos mais se tivéssemos corridas em zonas mais planas”, referiu.
Os elogios de Nuno Bico chegaram também a Gustavo Veloso, diretor desportivo da equipa de Mortágua. “Alegro-me muito que esteja no Mortágua. É a equipa correta para ele estar. Tem um diretor desportivo moderno, bem mais moderno do que os outros, com uma visão muito diferente e algo internacional do desporto. Está-lhe a dar as oportunidades que merece. Oxalá que não fique pela etapa de Viseu”, assinalou.
A sete etapas do final (seis etapas às quais se junta um contra-relógio individual entre Porto e Vila Nova de Gaia), Nuno Bico aponta Mauricio Moreira como o mais forte candidato a ganhar a Volta. “É muito difícil que o Maurício perca a amarela até pelo que demonstrou o ano passado. Só o Amaro [Antunes] é que teve capacidade de lhe fazer frente. Na Torre, o Frederico [Figueiredo] estava na frente, o Mauricio [Moreira] ataca para o apanhar, depois puxavam à vez na subida. Queriam ter um plano B, claramente não queriam que um corredor descolasse a cinco quilómetros da meta e, assim, estavam ambos na discussão da corrida. Não sei se o Mauricio está nas mesmas condições do ano passado, a equipa jogou pelo seguro e fez muito bem”, analisou o antigo ciclista viseense.
A verdade equipa Glassdrive tem dois ciclistas apontados à vitória. O uruguaio Maurício Moreira, vice-campeão da Volta do ano passado, e o português Frederico Figueiredo. Estão separados por 30 segundos. A dúvida está em como vai a equipa gerir as candidaturas à vitória. Quanto à preparação de ambos, Nuno Bico, diz que a equipa pode ficar descansada. “O trabalho veio de casa. Não é só o ciclista que tem de treinar, o diretor [desportivo] tem de pensar durante o ano, correspondente ao que cada um andou, em quem vai apostar as fichas. Neste caso, acho que são os dois meritórios vencedores. O Frederico foi mais constante durante o ano e demonstrou que andar não é só a Volta a Portugal, são todas as corridas. O Mauricio partiu em vantagem porque logo no contra-relógio mostrou que estava em boa forma: fez um bom tempo. Aí o Frederico perde: é muito mais leve, muito mais pequeno e nesse tipo de terreno não se defende tão bem. Agora, a corrida é muito dura e vai colocar cada um no seu sítio”, prevê.
Além de receber o final da quarta etapa e de ficar a saber-se que, no próximo ano acolhe o início e dentro de dois anos o final da Volta, Viseu também foi palco da Etapa da Volta. Trata-se de uma iniciativa que convida os apaixonados pelo ciclismo a sentirem as emoções de uma prova que se assemelha a uma etapa “real” da Volta a Portugal. “Há muitos praticantes. O número cresce a cada dia. Haver a oportunidade de partilhar a organização, as partidas, toda a movida, placards, patrocinadores… É bom fazer estes adultos sentirem-se crianças por um dia e divertirem-se a fazer o desporto de que tanto gostam”, conclui Nuno Bico.