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Ainda não é desta que o julgamento que envolve 17 arguidos acusados de mais de 130 crimes viu a sua primeira sessão acontecer no Tribunal de Viseu. Depois dos adiamentos por causa da greve dos oficiais de justiça e da falta de meios para transportar presos do Porto para Viseu, o impedimento está agora na doença de um dos suspeitos.
Durante a tarde de quinta-feira, o advogado de um dos arguidos que está na Prisão de Custóias pediu ao tribunal a não realização da audiência de julgamento marcada para hoje, com a justificação de que o seu constituinte tinha de efetuar um tratamento no Hospital de Matosinhos, devido a um “grave problema de saúde”.
O próprio médico do Estabelecimento Prisional explicou que falhar o tratamento teria consequências nocivas para a saúde do suspeito que hoje está a fazer a terceira sessão de tratamento de “uma afeção neurológica que tem implicação na sua visão”.
Perante esta justificação, o coletivo de juízes decidiu desconvocar a sessão onde iriam começar a ser ouvidas as testemunhas.
Depois de uma sessão realizada em janeiro, na qual foram identificados os arguidos, as diligências já foram adiadas mais duas vezes. A primeira a 8 de março por causa da greve dos oficiais de justiça e a segunda na passada quarta-feira. Nesse dia, o coletivo, que não queria que se voltasse a repetir o adiamento uma vez que a greve ainda se mantinha, emitiu um despacho a referir que se impunha a realização da audiência que acabou por não acontecer porque não foi possível o transporte de dois dos arguidos do Porto para Lisboa.
Os arguidos estão acusados de burla qualificada, falsificação de documento e detenção de arma proibida (sendo imputadas mais de duas dezenas de crimes à maior parte deles), num processo relacionado com compra de veículos automóveis de gama alta.
Segundo a acusação, pelo menos desde outubro de 2019, doze dos arguidos engendraram um plano para ludibriarem pessoas que colocavam carros de gama alta (de marcas como Ferrari, Porsche e Mercedes) à venda em sites da Internet (Olx e Standvirtual).
Os arguidos faziam as vítimas crer que estavam interessados em comprar os veículos, passando-se por pessoas com posses e profissões de relevo, para assim se apropriarem deles sem os pagarem.
A acusação refere que os proprietários dos carros eram selecionados por área geográfica (Trás-os-Montes, Leiria, Lisboa, Setúbal, Alentejo, Algarve) para rentabilizar as despesas e as deslocações dos arguidos e os contactos feitos através de telemóveis com cartões pré-pagos.
Depois de conseguirem fechar o negócio, enviavam às vítimas um comprovativo de transferência bancária que não passava de uma fotomontagem de documentos semelhantes aos das instituições bancárias e, antes que os donos dos carros se apercebessem de que tinham sido enganados, o registo de propriedade já tinha sido alterado.
Os veículos seguiam para Espanha, para serem rapidamente vendidos, através de negócios aliciantes para os potenciais compradores, e legalizados com chapas de matrícula daquele país, num trabalho que contou com a conivência pessoas ligadas a esse ramo.
A próxima sessão está marcada para dia 29 de março.