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“Cortava-se uma árvore para casar um filho ou pagar uma urgência”: Memórias da aldeia de Cambra (Vouzela) pela voz de Dona Prazeres

 Entrevista com Gabriela Relvas, autora do romance Gula de uma Rapariga Esquelética de Amor
15.05.25
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 Entrevista com Gabriela Relvas, autora do romance Gula de uma Rapariga Esquelética de Amor
20.02.26

Em Cambra, uma das freguesias mais antigas do concelho de Vouzela, há quem ainda se recorde de semear e tratar o linho, as desfolhadas, os serões de inverno e até guardar migalhas do farnel para o fim da escola. Chama-se Dona Prazeres Gonçalves, tem 88 anos e carrega uma aldeia inteira dentro da memória, histórias que não se leem nos livros.
“As minhas mágoas sofro-as para mim. Tristezas não pagam dívidas, mas levam paixões”, diz, com um sorriso.

Foi assim que nos recebeu neste episódio de Aldeias com História, na encosta da Serra do Caramulo, com vista para o Ladário e São Macário. Entre recordações da infância, memórias de um tempo em que o essencial bastava e algumas quadras ditas de cor, Dona Prazeres desenha-nos, com palavras simples, o retrato de uma vida rural autêntica, feita de trabalho, fé, comunidade e alegria.
Quando a aldeia era cheia de vida
“Antigamente era uma aldeia de muita gente e muito alegre”, começa por dizer.
Fala-nos de uma infância passada entre a casa dos avós e das tias, de dias de escola com farnéis feitos de pão, figos e queijo, e de como, logo depois da escola, era preciso trabalhar nas terras, ajudar nas vacas ou aprender costura. Mas havia tempo para tudo, inclusive para dançar.
“Faziam-se grandes desfolhadas, onde se cantava, dançava e jogava às cartas.”


Dona Prazeres aprendeu a costurar, a fiar o linho e até a fazer mantas no tear. Tudo com os recursos que havia, porque a vida era feita do que se produzia com as próprias mãos. O pinhal era banco e herança — cortava-se uma árvore para casar um filho ou pagar uma urgência.
Tradições que o tempo vai apagando
Hoje, Cambra está mais silenciosa. Os jovens partiram, muitos dos mais velhos já não estão, e Dona Prazeres recorda vivências de tempos idos. Lembra-se das trigadelas — plantas trabalhadas para dar fio — e da festa do Espírito Santo, ligada a uma imagem trazida de Mortágua e envolta em cantigas tradicionais. Conta-nos provérbios e processos do ciclo do linho com uma clareza que impressiona.
“O linho semeado, quer serôdio, quer temporeiro, está sempre criado pelo São João” diz com a cadência de quem já o ouviu e disse centenas de vezes.

A lucidez com que conta cada detalhe, com que descreve os gestos e os tempos, impressiona. Quando a família tem dúvidas sobre costumes ou datas, é a ela que recorrem.
“Eles às vezes não sabem uma coisa. ‘Ó mãe, ó avó, você lembra-se disto?’ Eu vou ao fundo do saco, trago aquilo e eles ficam todos contentes.”
Dona Prazeres não é só a voz de uma aldeia. É a presença concreta de um país que ainda vive em muitos cantos, mas que corre o risco de se calar, se não for ouvido a tempo.

Veja AQUI o episódio completo desta aldeia encantadora.

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 Entrevista com Gabriela Relvas, autora do romance Gula de uma Rapariga Esquelética de Amor

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