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Morreu o professor Vítor Aguiar e Silva, natural de Penalva do Castelo

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 Morreu o professor Vítor Aguiar e Silva, natural de Penalva do Castelo - Jornal do Centro
12.09.22
fotografia: Jornal do Centro
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 Morreu o professor Vítor Aguiar e Silva, natural de Penalva do Castelo - Jornal do Centro
12.09.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Morreu o professor Vítor Aguiar e Silva, natural de Penalva do Castelo - Jornal do Centro

Morreu o professor universitário e vencedor do Prémio Camões 2020, Vítor Aguiar e Silva, natural do concelho de Penalva do Castelo. Tinha 82 anos de idade.

O anúncio foi feito esta segunda-feira pela Universidade do Minho, onde Vítor Aguiar e Silva era professor emérito e catedrático aposentado da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas.

Em 2020, o docente que deixou uma obra considerada marcante nos estudos literários e no ensino da língua portuguesa e era um dos mais profundos estudiosos da obra de Luís de Camões recebeu o Prémio Camões.

Há dois anos, o júri do galardão mais importante da língua portuguesa e literatura lusófona justificou a atribuição do prémio a Aguiar e Silva pela “importância transversal da sua obra ensaística e o seu papel ativo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”.

“No âmbito da teoria literária, a sua obra reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa. Objeto de sucessivas reformulações, a Teoria da Literatura constitui-se como exemplo emblemático de um pensamento sistematizador que continuamente se revisita. Releve-se igualmente o importante contributo dos seus estudos sobre Camões”, acrescentou o júri.

Vítor Manuel Pires de Aguiar e Silva nasceu em Real, no concelho de Penalva do Castelo, a 15 de setembro de 1939. Tendo aprendido a ler e a escrever com a mãe, frequentou o Liceu Nacional de Viseu (atual Escola Secundária Alves Martins), onde os seus bons estudos motivaram a conquista do Prémio Nacional de Melhor Aluno.

Na Universidade de Coimbra licenciou-se em Filologia Românica, doutorou-se em Literatura Portuguesa e foi professor catedrático da Faculdade de Letras a partir de 1979. Em 1989, mudou-se para a Universidade do Minho, onde foi vice-reitor e professor catedrático do Instituto de Letras e Ciências Humanas. Além disso, fundou e dirigiu o Centro de Estudos Humanísticos e a revista Diacrítica. Aposentou-se em julho de 2002.

O docente também esteve envolvido na criação do Instituto Camões, coordenou a Comissão Nacional de Língua Portuguesa, foi membro do Conselho Nacional de Cultura e foi um dos signatários da petição “Em Defesa da Língua Portuguesa contra o Novo Acordo Ortográfico”.

“A sua obra científica marcou decisivamente os campos dos estudos literários e da teoria da literatura, do ensino da língua portuguesa e das políticas de língua. Era um dos mais reconhecidos especialistas na obra de Luís de Camões, a nível mundial. A sua atividade docente teve um grande impacto em gerações sucessivas de estudantes, tendo contribuído profundamente para a reconfiguração dos estudos literários em Portugal”, referiu o reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, numa nota onde mostrou o seu pesar pela morte.

Além do Prémio Camões, Vítor Aguiar e Silva também foi distinguido com outras distinções como o Prémio Vergílio Ferreira, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, o Prémio D. Diniz da Casa de Mateus e o Prémio Ensaio Eduardo Prado Coelho.

Em 2004, tornou-se comendador recebendo do Presidente da República Jorge Sampaio a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.

Esta notícia já provocou reações. A morte de Vítor Aguiar e Silva “é uma perda impossível de reparar”, afirmou o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, António Cunha, que também foi reitor da Universidade do Minho.

Numa publicação na rede social Twitter, António Cunha escreveu: “É uma perda impossível de reparar aquela que a partida de Vítor Aguiar e Silva nos deixa. Lamento-a profundamente. Foi um amigo inspirador, mas mais do que isso uma personalidade maior na promoção da cultura e literatura portuguesas”.

“Conheci-o de perto, como insigne camonista e académico e sou testemunha da sua grandeza humanista e intelectual, reconhecida na atribuição do Prémio Camões em 2020”, acrescenta o responsável da CCDR-N.

António Cunha termina a publicação afirmando que “deixa saudade, mas também um valioso legado de pensamento para o futuro”.

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