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Mulher denuncia “calvário” para arranjar transporte de ambulância das urgências para casa

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 Mulher denuncia “calvário” para arranjar transporte de ambulância das urgências para casa - Jornal do Centro
26.07.22
fotografia: Jornal do Centro
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 Mulher denuncia “calvário” para arranjar transporte de ambulância das urgências para casa - Jornal do Centro
26.07.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Mulher denuncia “calvário” para arranjar transporte de ambulância das urgências para casa - Jornal do Centro

Não é fácil arranjar transporte para os doentes acamados e com mobilidade reduzida que tiveram alta das urgências e que necessitam de uma ambulância para abandonar o hospital.

Foi o que aconteceu na semana passada a Célia Simões, natural de Óvoa, no concelho de Santa Comba Dão. Esta mulher passou por “um verdadeiro calvário” no passado dia 19 de julho com a tia, de 94 anos, acamada e em fase terminal, depois de uma ida às urgências do Hospital de Viseu.

Célia Simões diz que ligou para várias corporações de bombeiros da região, mas não conseguiu transporte para a tia poder ir para a casa com facilidade.

“Eu queria trazer a minha tia com urgência para casa porque não queria que ela passasse mais uma noite na urgência, tendo em conta que não estava lá a fazer nada. Eu não conseguia fazer o transporte para a trazer. Contactei os Bombeiros de Carregal do Sal, Santa Comba Dão, Tondela, Viseu e, por último, Nelas”, explicou.

Só a corporação nelense a conseguiu ajudar. Segundo contou, os bombeiros questionaram-na se já tinha tentado entrar em contacto com outras corporações porque o transporte ficaria “um bocadinho mais caro”.

“O que me disseram foi que era tudo pago ao quilómetro. Perguntaram se já tinha tentado alguma corporação mais próxima. Nem lhes disse que já tinha contactado porque até tive vergonha de dizer que tinha entrado em contacto com outras corporações, mas que estas não tinham meios”, relatou, revelando ter pago pelo serviço 65 euros.

Célia Simões lamenta que, tal como a sua tia, outras pessoas passem pelo mesmo e disse que este caso pode ajudar a explicar as imagens que se veem dos corredores das urgências cheios de doentes.

“Acredito que alguns sejam menosprezados pelas famílias, mas também existem muitas pessoas que tiveram as mesmas dificuldades que eu tive. Se não fizesse tantos telefonemas a pedir transporte, a minha tia seria mais uma a ficar exposta no corredor no dia seguinte. Tendo em conta que tinha alta, não iria ter os mesmos cuidados como se estivesse a fazer exames, estaria unicamente à espera que a família a fosse buscar, estando exposta a outras situações”, vincou.

O Hospital de Viseu, disse Célia Simões, apresentou-lhe várias soluções de bombeiros, passando pela Cruz Vermelha e até por empresas privadas, que cobram mais que as associações humanitárias.

“Eu coloquei a situação e disse que estava com este problema, que liguei para uma série de bombeiros e que precisava de ajuda para ir buscar a minha tia. E responderam dizendo que podiam dar o contacto de outros sítios, até inclusive de uma empresa, e que isto acontece todos os dias com várias pessoas e entidades. Portanto, acho que tem de se ver o porquê de isto estar a acontecer”, defendeu.

A custo, conseguiu arranjar o transporte. Entretanto, a tia, que tinha uma doença terminal, já faleceu.

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