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O Teatro Viriato, em Viseu, estreia esta sexta-feira (18 de março) a peça “Orgia”. O espetáculo de Pier Paolo Pasolini, caraterizado como uma tragédia contemporânea sobre a diversidade e os impulsos obscuros e violentos que movem o ser humano, será encenado por Nuno M. Cardoso e conta com interpretações de Albano Jerónimo, Beatriz Batarda e Mariana Leonardo.
A peça, que será também apresentado no sábado (dia 19), assinala o centenário de Pier Paolo Pasolini, um cineasta, poeta e escritor italiano que se caraterizou como um dos “enfants terribles” da criação artística do século XX com obras que se tornaram polémicas como o filme “Salò ou os 120 Dias de Sodoma” e também consagradas universalmente como “O Evangelho Segundo São Mateus”.
“O projeto já estava delineado e preparado há cerca de dois anos, mas o calendário da produção só se concretizou precisamente agora porque, para preparar assim e com as disponibilidades e agendas da equipa e dos próprios teatros, é necessário bastante tempo para adivinhar e preparar e, portanto, foi uma feliz coincidência estarmos a apresentar o espetáculo no centenário de Pasolini”, explica Nuno M. Cardoso.
O encenador diz que que o público pode esperar “um poema a várias vozes que retrata e fala sobre a própria existência, a existência do indivíduo e a afirmação de quem é cada personagem”.
“Temos um casal, o homem interpretado por Albano Jerónimo e a mulher por Beatriz Batarda, que tenta encontrar uma espécie de paraíso de felicidade dentro da relação em contraponto e em conflito com o que é exterior. Mas isto não é um drama, é sim uma tragédia na dimensão da antiga Grécia, em que a afirmação do protagonista é a afirmação de uma aprendizagem através do sofrimento e da perda”, acrescenta.
Mais do que uma peça de teatro, “Orgia” pode ser definido como “um oratório laico que exprime, entre lirismo e declaração, a crise da sociedade contemporânea, representada através de uma obsessão individual”. Uma obra que, no fundo, “pertence ao terreno das ideias”.
Neste espetáculo preparado pela companhia TN21 e coproduzido pelo Teatro Viriato, o mistério da vida e os problemas da identidade encontram a obsessão do sexo, objeto de culpa e meio de conhecimento, numa batalha trágica e autodestrutiva.
“Eis então o delírio de um casal, uma orgia sangrenta de palavras que encontra a sua essência no reconhecimento da diversidade. Não é, no entanto, uma história pornográfica ou erotizada”, acrescenta a história. “Orgia” foi apresentado pela primeira vez na Itália, em 1968.
Depois do espetáculo, será realizada uma conversa com o público para refletir sobre os temas em causa na peça e envolver os espetadores no processo criativo. A peça subirá ao palco às 21h00 desta sexta-feira e às 17h00 de sábado.
Os bilhetes para as apresentações estão à venda na bilheteira do Teatro Viriato e nos locais habituais.
Depois da estreia em Viseu, o espetáculo segue para Guimarães, nos dias 26 e 27 de março, no Centro Cultural Vila Flor. “Orgia” será também apresentado em abril, na Culturgest, em Lisboa, e em maio, no Teatro Municipal Constantino Nery, em Matosinhos.