29 nov
Viseu

David Duarte

OPINIÃO

Fragmentos de um Diário

21 de novembro de 2020, 08:00

CLIPS ÁUDIO

Folha”

 

 

Uma folha,

um farrapo

de velho pergaminho,

desdobra-se no ar,

esvai-se nas sinfonias dolentes

do vento de Outono.

Uma folha,

uma alma perdida

que se ajoelha e se eleva no     templo azul,

azul e mole do espaço.

 

Uma folha,

um gesto de liberdade,

um poema amarelo,

uma ave desgarrada

que eu gravo

no quadro imaterial

da memória.

Mas como é louca esta ilusão

de querer imitar

o voo dos pássaros!

Voar! Só nos sonhos

e quimeras de poeta!

 

 

 

Se não fosse a poesia eu não seria o que sou! Não pelo valor literário do que escrevo, mas pelo sentido, pela alma, pela paixão das palavras.

A Fátima vai diluindo a memória da Laura. Está mal explicado. A memória permanece, intocável, sem manchas. Mas já não é uma pedrada ativa a revolutear dentro de mim. Sedimentou-se numa dobra da alma. Deixou de ser matéria explosiva. Aquietou-se. Não contagia o meu relacionamento com a Fátima. Permite-me disponibilidade. O sentimento de traição desapareceu. Sinto-me livre. 

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