A perda do poder de compra, a “degradação continuada de serviços públicos essenciais”, como saúde ou educação e um Orçamento do Estado que não vem ajudar foram alguns dos assuntos trazidos até Viseu pelo membro da Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista, João Ferreira.
O antigo eurodeputado marcou presença num jantar comício que aconteceu em Viseu, este sábado (10 de dezembro), e que reuniu mais de meia centena de pessoas.
Na intervenção, João Ferreira sublinhou as desigualdades do país. “Só nos primeiros nove meses os principais grupos tiveram de lucros acumulados mais de três mil milhões de euros. As dificuldades não são sentidas por todos, e temos um Governo que está a permitir que isso aconteça, com as suas políticas está a favorecer esta realidade. Temos os que trabalham, ou que tendo trabalhado uma vida inteira hoje vivem da sua pensão e reforma, e agora se veem a perder de forma significativa o poder de compra, ao mesmo tempo que outros vão vivendo bem, em cima dessas dificuldades”, disse.
A juntar a isso, atirou João Ferreira, “a degradação continuada de serviços públicos essenciais, como a saúde, onde o Governo não toma as medidas necessárias para defender o SNS e que, com isso, leva a água ao moinho daqueles que querem fazer da doença uma fonte de negócio”.
O comunista aproveitou ainda para atacar o Governo dizendo que também a “escola pública tem sido degradada”, assim como o “setor dos transportes, a segurança social ou habitação”.
João Ferreira, que é vereador do partido na Câmara de Lisboa, afirmou que o país vive uma “situação recheada de perigos e motivos de inquietação e preocupação” e que o Orçamento do Estado não vai ser capaz de o combater.
“A atuação do Governo que mais uma vez, e olhando para o Orçamento, dá mostras de não querer resolver os problemas. Aliás, demonstra ser uma das causas para os problemas que estamos a enfrentar. O conteúdo deste orçamento não difere muito do ano passado e já na altura se veio a verificar que, tal como o PCP dizia, não correspondia aos problemas essenciais e que seria a causa do agravamento desses problemas”, lembrou.
João Ferreira lamentou que o país vai entrar no novo ano “sem que os trabalhadores vejam reposto o poder de compra que perderam em 2022 e o mesmo podemos dizer dos reformados e pensionistas”, disse acrescentando que, “a somar a isso, em 2023 vamos ter uma nova perda de poder de compra.
O comunista falou ainda do partido e da necessidade deste ser reforçado, investindo no recrutamento, para que se possa “trazer nova gente”.