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Produção de queijo em risco por causa da seca

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 Produção de queijo em risco por causa da seca

A seca prolongada e a falta de água colocam a produção do queijo na região de Viseu em risco. Os produtores referem também que, em causa, está a fraca produtividade de leite na qualidade e na quantidade porque os rebanhos estão a produzir menos leite.

Em Carregal do Sal, o gerente da Queijaria Flor da Beira, Vítor Pedro Pinto, reconhece que este é um problema que a empresa tem vindo a enfrentar “há já algum tempo”.

“Não bastava o problema da guerra (na Ucrânia), com a falta de cereais, e aparece-nos agora o problema da falta de água que já estamos a atravessar há alguns meses. Os produtores de leite de ovelha estão com problemas muito graves”, afirma. Com o aumento dos preços das rações – que triplicaram –, entre outros fatores, há produtores que já “desistiram e venderam as ovelhas”.

“Estamos a atravessar uma crise muito grande. Alguns com mais idade vão mudar de vida e acabar por desistir porque não se consegue”, alerta Vítor Pedro Pinto.

O gestor acrescenta ainda que a falta de pastos para os rebanhos coloca também em causa a qualidade e a quantidade do leite que é produzido para o fabrico de queijo. “No leite, está lá alguma qualidade, mas a quantidade acaba por não compensar porque falta ao animal mais qualquer coisa para poder ter leite com mais qualidade, desde melhor ração a melhores pastos”, explica.

O gerente da Flor da Beira prevê que a qualidade do queijo não venha a ser “a mesma do que há dois ou três meses”. “Os produtores estão a sobreviver e não conseguem investir no próprio rebanho porque o dinheiro não chega para tudo”, reitera.

Já o gerente da Queijaria Vale da Estrela em Mangualde, Pedro Arrais, não esconde que a falta de água e a seca extrema são preocupantes, tendo já registado várias quebras na produção.

“Na nossa queijaria, onde produzimos queijo Serra da Estrela DOP, vemos com preocupação o que tem acontecido com a redução do leite para a produção. E sentimos que a seca está claramente a prejudicar, não diria na qualidade, porque temos essa preocupação de salvaguardar todos os procedimentos para assegurar o controlo, mas sim na quantidade que receamos que escasseie”, explica.

Pedro Arrais acredita que o Governo irá disponibilizar os apoios necessários aos criadores de ovelhas, bem como aos produtores de queijo afetados pela seca.

“Acreditamos e temos presenciado alguns apoios que o Governo tem feito ao setor e estamos certos de que assim continuará a acontecer na medida do cenário que hoje existe. Com o agravamento que temos tido neste verão, estou certo de que surgirão outros apoios para salvaguardar um produto tão importante, tão nosso e tão regional como o queijo Serra da Estrela”, diz, acrescentando que a queijaria está a apoiar os próprios fornecedores com visitas nas últimas semanas “para perceber as preocupações e o que as pessoas necessitam e reforçar o nosso apoio que temos feito nos últimos anos”.

Autarquia de Penalva disponível para apoiar produtores
Em Penalva do Castelo, o cenário não é muito diferente ao que se passa na região. A pastorícia é uma das principais atividades agrícolas do concelho, em paralelo com a produção de vinho, maçã e queijo.

“Penalva do Castelo vive o mesmo problema que estão a viver os concelhos vizinhos e que vai dificultar a produção animal e agrícola, porque é um concelho que ainda depende muito da agricultura. Os pastores estão com alguma dificuldade em alimentar os rebanhos”, lembra o presidente da Câmara Municipal, Francisco Carvalho.

O autarca aconselha aos agricultores e criadores de gado para terem “máxima contenção” no consumo da água porque “é um bem essencial” e para, em caso de maiores dificuldades, solicitarem o apoio ao município de Penalva do Castelo, lembrando que a autarquia pode vir a solicitar a ajuda de camiões cisterna para abastecer água.

Francisco Carvalho diz que, para já, nenhum produtor do concelho ainda não abandonou o setor. “Ainda não tive conhecimento de produtores que tenham a intenção de se desfazerem dos rebanhos por causa da seca severa. Espero que não o façam porque estamos todos imbuídos do mesmo espírito para os ajudar”, conclui.

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