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“Vi passá-los todos e agora, finalmente, vejo o meu partido”, gritava uma senhora à chegada da comitiva socialista à Feira Semanal de Viseu. A cabeça de lista pelo PS às legislativas do próximo domingo, Elza Pais, liderava a comitiva que foi acompanhada por um grupo de bombos. Num rufar constante e à medida que se apelava ao voto, os rostos do PS por Viseu iam entregando panfletos e canetas. “Isto não pode andar para trás. Para a frente é que é o caminho”. A frase foi repetida por Elza Pais à medida que a comitiva do PS entrava no recinto da Feira. Entre olhares desconfiados e encontrando muitos eleitores que se assumiram indecisos, o PS puxava das canetas e dos panfletos. Dirigindo-se a uma jovem que comprava roupa, Elza Pais apelou ao voto referindo que estão em causa os direitos das mulheres.
E foi precisamente uma mulher a protagonizar o momento mais tenso de uma campanha tranquila. Numa banca de venda de queijos e enchidos e mesmo antes de os socialistas se chegarem perto já se ouvia críticas à atuação do PS. No momento em que a cabeça de lista do PS por Viseu lhe entregou um panfleto e apelou ao voto no partido que governou Portugal nos últimos oito anos, a mulher recusou e afirmou ter o voto decidido… em sentido contrário. “Não me consegue virar. Não vale a pena. Sou AD”, disse. Elza Pais continuou o seu caminho e o panfleto ficou por entregar.
Um dos mais procurados na “caravana” socialista foi João Azevedo, que foi candidato do PS à Câmara de Viseu. O socialista foi abraçado por uma mulher que, visivelmente emocionada, lhe desejou força e mostrou-se confiante na vitória no próximo domingo.
Enquanto a mensagem era passada, os socialistas encontraram muitos indecisos e também vários desiludidos com a situação política atual. “Ainda não sei em quem vou votar”, reconheceu um homem à passagem da comitiva do PS. “Alguém tem de lá estar”, lembrou Elza Pais. Nem só de elogios ou indecisos se fez a manhã. “Prometem, prometem e nada fazem. Nem estrada para Coimbra, nem comboio”, lamentava uma mulher, encostada a uma banca de roupa.
Numa terça-feira que começou com nevoeiro, os socialistas até cumpriram o protocolo de levar os rostos principais da campanha na frente nos primeiros metros. Mas o ritmo de entrega de canetas e, sobretudo, o apelo ao voto fazia o plano várias vezes ter de ser improvisado. Os bombos, esses, mantiveram o ritmo do início ao fim, sem nunca pararem, um segundo, de tocar. No espaço da Feira Semanal de Viseu andaram também comitivas do PSD e do Chega.
Dada a volta à Feira, Elza Pais disse ao Jornal do Centro estar confiante na eleição de quatro deputados pelo círculo de Viseu. Significaria, caso se verifique, que o PS não perderia lugares. Em 2022, os socialistas ganharam em votos mas empataram em mandatos com o PSD. “Estou confiante de que, seguramente, vamos eleger quatro deputados. Este apoio constante que temos sentido, quer nas feiras, quer nos lares, não se vai perder. Não vamos andar para trás, vamos andar para a frente”, disse a cabeça de lista socialista. Elza Pais reconheceu que “nem tudo está bem”, mas assegura que as pessoas estão “muito recetivas ao nosso projeto”. “Sinto que o povo quer o PS no governo”, conclui.
Depois de uma pequena paragem junto à sede dos socialistas, na Rua do Arrabalde, em Viseu, seguiu-se a subida da Rua Direita. Numa rua deserta, com poucas pessoas a passar, só os lojistas foram motivo de apelo ao voto. “Aqui há muito PSD”, ouviu-se. Num dos cafés, a comitiva do PS entrou e todos foram chamados a beber “um branquinho”.
Num dos becos daquela que já foi uma das principais ruas de Viseu, estava um idoso à varanda. À passagem das bandeiras do PS, o homem mostrou apoio e recebeu uma bandeira enviada pela comitiva. Ao agarrar a bandeira, o idoso agradeceu e agitou-a. Seguiu-se uma fotografia.
Passo a passo, a Rua Direita estava quase toda trilhada, mas havia um ponto de paragem obrigatório: a loja da D. Fernanda. Além de ser proprietária de uma das poucas lojas abertas na Rua Direita, esta comerciante é um autêntico centro de sondagens.
Contam os socialistas que a lojista acertou na derrota de Costa e a vitória da PAF em 2015 e na vitória por maioria absoluta em 2022. “Temos de parar aqui. É a nossa sondagem”, pode ouvir-se. E a verdade é que a D. Fernanda não tinha muito boas notícias para os socialistas. “Isto está taco a taco. A coisa está renhida”, disse. Já com a comitiva fora do espaço, ao Jornal do Centro, Fernanda rejeita qualquer tipo de adivinhação. “Ouço as pessoas. Muitos dizem que vão votar AD, alguns PS. Chega, não. Chega para lá”, explica. E quando lhe perguntamos se, ao dia de hoje, tivesse de avançar o nome do vencedor, foi perentória. “AD. É a AD”, afirmou.
Percorrida a Rua Direita, e enquanto as sondagens não definem se os socialistas terão a sorte de ganhar as eleições no domingo, foi tempo de a procurar em campanha. A Casa da Sorte foi, então, outro dos pontos de paragem. O presidente da Distrital do PS Viseu, José Rui Cruz, foi um dos que foi arriscar. “Apostei no 19 e no 34. São números de que gosto”, desvendou. E caso saia algum prémio, é para investir. “Consoante o valor, definimos”, confessou. Já Elza Pais ficou-se por uma raspadinha. A cabeça de lista do PS assumiu que nunca tinha raspado. E para principiante… não teve sorte. “Nada, não saiu nada”, lamentou A socialista raspou ao balcão e não se cruzou com um panfleto da concorrência. É que, num dos lugares destinados a raspar, já estava ali a CDU.
O PS conseguiu em 2022 no círculo de Viseu 76642 votos, que correspondeu a 41,55% da votação. Os socialistas elegeram quatro deputados, tal como o PSD, que na altura concorreu sozinho. Os sociais democratas alcançaram 36,81% dos votos, reunindo 67888 votantes. Viseu mantém agora oito deputados para distribuir. Domingo o país vai a votos.