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Viseu vai jogar em casa e persegue o objetivo de ganhar a prova. Vai ser desta?
É uma grande responsabilidade. Não é a primeira vez que a Diocese de Viseu organiza o campeonato e quando jogamos em casa estamos mais preocupados em receber. Isto é uma desculpa caso não sejamos campeões (risos). Vamo-nos esforçar para ganhar. Sabemos que temos grandes equipas a jogar à bola. E um dos objetivos deste torneio é mostrar um outro lado de um padre. Estamos mais habituados a ver um sacerdote atrás do altar. É uma oportunidade para também estar com padres de outras Dioceses. Trocamos impressões entre nós e até falamos dos problemas da Igreja. Há tempo para tudo. Estamos divididos em equipas, mas unidos em oração.
Quantos padres estão convocados na equipa da Diocese de Viseu?
Somos onze. Mas há alguns que jogam cinco minutos, outros dois. No meu caso vou jogar dois minutos e meio cada parte. É para os assustar. (risos).
Qual foi a melhor classificação de Viseu?
Conseguimos um honroso quarto lugar. Foi em Lisboa, há 15 anos, na primeira vez que participámos. E o objetivo desta vez é passar a fase de grupos e chegar à final.
Como é que é preparado um torneio desta dimensão?
A base são as dormidas e a alimentação. E contamos com a Diocese para isso. Os sacerdotes vão pernoitar no Seminário de Viseu e as refeições serão servidas no Colégio da Via-Sacra e os jantares vão acontecer em restaurantes de Viseu. Também queremos que eles conheçam a gastronomia local e há uma tarde de passeio em que vamos visitar alguns pontos da cidade.
No seu caso, leva o futebol a sério, tem jeito para o desporto, é apenas adepto?
Já tive jeito. Quando andava na escola dava uns toquezinhos e fui guarda-redes. Hoje em dia, não. Não segui uma vida tão desportiva. Gosto de ver desporto.
Mas discute futebol?
Não, gosto de ver o jogo. As análises não me interessam muito.
Irrita-se?
Sim, sim, claro. Quando estou a ver o jogo, sou emotivo.
Qual é o seu clube?
Sou sócio do Académico de Viseu. É o meu clube. Dos grandes, gosto do Benfica.
Há algum treinador, alguém que vos dê a tática?
Já tivemos, neste momento não. Eu irei ajudar. Vou estar mais tempo no banco, por isso vou incentivar.
Uma prova como esta pode ter a dupla função de unir os membros da Igreja e os fiéis entenderem que um padre também pode gostar de desporto?
É exatamente isso. Nós lançámos já o cartaz da competição e as pessoas olham com carinho para isto. Há uma reação de felicidade e entusiasmo. Já muita gente me disse que vai ver os jogos, que são à porta aberta. Estão todos convidados e vão ver que os jogos são renhidos.
Há alguma reza que cumpre antes de entrar em campo?
Benzo-me e peço a Deus que me auxilie, mas do outro lado pede-se o mesmo. É um empate. Acima de tudo pedimos para não haver lesões e infelizmente tem havido. E algumas graves. Nós não andamos a passar a bola uns aos outros. É jogo duro em que estamos lá para ganhar. E há quem se magoe, às vezes sozinho. Um colega cá de Viseu partiu o tendão de Aquiles. E um colega de Vila Real numa farpa, no pavilhão, rasgou o músculo. Felizmente temos todas as condições para, depois, responder a isso.
Olhando para os jovens, a juventude pode aproximar-se mais da Igreja assistindo a iniciativas como esta?
Acredito que sim. E se olham para um Cristiano Ronaldo e o veem como ídolo, também podem olhar para um padre e ver nele uma referência.
Tem visto alguns casos de sacerdotes que poderiam ter seguido a carreira de jogador de futsal ou futebol?
Sim, sim, sim. Temos craques. Há jogadores muito bons mesmo. Há mesmo um padre, que jogou por Viana do Castelo, que foi profissional. Tanto que há bons jogadores que na Clericus Cup a nível europeu, a seleção portuguesa deve ser a que tem mais títulos. Temos uma grande equipa, uma grande seleção.
Viseu não está representado?
Já esteve. Em todas as Clericus Cup o selecionador nacional vai escolher os jogadores que representam Portugal no Europeu. Ele vai estar cá e vai estar muito atento. E de Viseu há um jogador que é capaz de ser chamado.
Um padre está tanto na exaltação da vida, como no luto da morte. Torneios como este, o desporto no geral, contribui para que haja um espairecer da mente?
Sim, o exercício físico ajuda. Liberta-nos. É bom experimentar as emoções para saber lidar com elas. A competição, o esforço, o ir até ao limite, permite-nos perceber os outros. Celebramos a vida num batizado e num funeral, mas, neste caso, no acompanhamento à família.
Fora competição disse há pouco que há tempo para discutir a Igreja, os problemas da Igreja. É hoje uma Igreja mais rejuvenescida depois da Jornada Mundial da Juventude?
Claro que sim. A Jornada Mundial da Juventude mostrou muito uma Igreja jovem, que caminha e escuta. Demos conta que os grupos de jovens se fortaleceram. É nas bases que temos de criar a expectativa de uma Igreja presente no mundo atual. É bom que os jovens se sintam parte da Igreja e não vão apenas à Igreja ouvir o padre. Há muito esta imagem. Não queremos que essa imagem passe, mas muitas vezes é o que acontece. Quando os jovens agarram na Igreja, organizam eventos, chegam a uma paróquia e organizam uma eucaristia ou um convívio, dá outro sabor e vitalidade. Estou numa paróquia com um grupo de jovens bastante presente, e sempre que estão na eucaristia, as pessoas parece que estão mais atentas a tudo. É bom perceber que a força dos jovens está na Igreja.
Há hoje uma Igreja mais atenta aos problemas?
A Igreja sempre esteve atenta. O problema, por vezes, é a comunicação. Como se comunica ou de que forma se comunica. A mensagem da Igreja é aquela. Não tem de ser cativante, porque ela já o é. A Igreja tem de mostrar Jesus Cristo. Temos de o mostrar na verdadeira essência e não florear. E é isso que a Igreja tem de fazer. A mensagem da Igreja está lá. O desafio é saber comunicar. A pior questão da Igreja neste momento é a falta de padres. Eu hoje tenho seis paróquias. Era impensável há uns anos.
Como é que faz essa gestão?
Tenho um diácono que me ajuda bastante. Ao fim de semana, sem ele, seria impossível. Mas aos dias de semana há uma grande carga. Eu tenho duas missas por dia às terças, quartas e quintas, três à sexta, uma ou duas ao sábado e duas ou três ao domingo.
Tem receio de que, com a chamada crise nas vocações, comece a falhar o serviço de assistência que os padres prestam à comunidade?
Era disso que falava. E falei só das celebrações. Falta o resto. Falta visitar os doentes, acompanhar as instituições, sejam elas da Igreja ou não. Começamos a dar conta de que não dá tempo para tudo. Calendarizar até é fácil, mas estar…
Estar e não olhar para o relógio…
Tal e qual. E quantas vezes marco meia hora antes da missa, mas já estamos limitados. No fim da missa, quando não tenho mais nenhum compromisso, já temos mais tempo. Cada vez mais somos procurados para fazer acompanhamento espiritual e ouvir. A sociedade está desunida, egoísta. Somos muitos, mas estamos a entrar numa solidão muito grande, em que cada um vive por si.
O sacerdote hoje é um conselheiro…
Também é. Falam-me muitas vezes de solidão, de ver a família desagregada, queixam-se da falta de acompanhamento. Pode até parecer muito filosófico, mas falta sentido de vida.
Essa crise das vocações pode ser resolvida?
Tem de haver solução.
A palavra crise é forte…
É, mas é um pouco isso. Não há vocações. Ponto final, parágrafo. Quando estava no seminário menor, entre o sétimo e o décimo segundo ano, em Fornos de Algodres éramos sessenta almas, hoje em dia, nesse seminário menor acho que não há nenhum. Há quatro seminaristas na faculdade.
O que é que está na base da falta de vocações?
No meu entender, foi o encerramento do seminário menor que, mesmo a conta gotas, lá ia trazendo alguém. Nos meus dez, doze anos assumi o compromisso de ser padre. E fiz a caminhada para tal. Se calhar aos 25, 30 anos é mais difícil para um homem querer adotar o estilo de vida sacerdotal. Quando se descurou os seminários menores, começou a crise.
A reabertura desses espaços seria importante?
Sim, mas é muito difícil neste momento. Outro passo seria abrir a Igreja aos diáconos. O diácono não celebra a eucaristia. É muito parecido com uma missa, mas não há consagração. Tem leituras, comunga-se também as hóstias que estão no sacrário e faz, digamos, uma missa mais pequena. O caminho da Igreja é ter a presença de diáconos, homens já casados, com provas dadas na vida. Homens já casados poderem ser padres é um passo mais adiante.
Mas esse mais adiante será quando?
Quando a Igreja estiver preparada.
É favorável?
Sim, não vejo nenhum escândalo de um homem já casado, com vida orientada, com filhos, família, poder ser padre. A Igreja primitiva foi isso. Era o ancião, a pessoa mais velha, a mais respeitada. Se isso chegar a acontecer é quase um regresso às origens. Não há mal algum.
E o final do celibato é mais dogmático?
É mais complicado. Ter um homem casado como padre não seria mal visto. Aliás, os diáconos estão a fazer bem uma função parecida. Um padre que seja casado pode ter algo que não corra bem no casamento. Um padre já casado todos entenderiam, um padre divorciado, não. Não teria moralidade, nem poderia estar à frente de uma comunidade.
Há ainda em cima da mesa a ordenação de mulheres…
Está ainda em discussão. É algo que lá mais à frente se poderá pôr em causa.
Mas o facto de demorar muito tempo não agrava a crise das vocações? As coisas estão ligadas?
Não deveriam estar. Quando corremos atrás do prejuízo corre sempre pior. Quando alguém começa a poupar quando não tem dinheiro, algo está mal. Temos de poupar quando temos. Este caminho já poderia ter sido feito há cinquenta anos para agora começar a dar frutos. Mas sabemos que o ser humano corre mais atrás do prejuízo do que é proativo. Para já, todas as paróquias têm párocos e está a haver a assistência. Deveria ser maior, mas não estamos a falhar assim tanto.
E o Papa Francisco? É o Papa certo, na hora certa?
Obviamente. Tem a capacidade de comunicar. Está junto das pessoas e sabe passar a mensagem. Recordo a Jornada Mundial da Juventude em que teve discursos excelentes. Seja na Universidade Católica, junto de cientistas, como fora, junto dos jovens. Ele sabe tocar as pessoas. É um dos mais queridos do mundo.