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Pessoas neurodivergentes têm acesso a uma sala de autorregulação na Feira de São Mateus, em Viseu, num espaço que, este ano, também disponibiliza kit e mapa sensorial para acompanhar a família na visita a certame.
“Este espaço é um conforto emocional para as famílias que visitam a Feira de São Mateus. Podem nem usar, mas saberem que existe é um descanso e até já visitam a feira mais vezes e não se inibem, nem evitam, socializar”, disse à agência Lusa uma das responsáveis pelo espaço.
Sandrina Sousa, juntamente com o marido Sérgio Silva, é responsável pelo espaço Sírculos, situado no interior do Pavilhão Multiusos.
Uma ideia implantada em 2025 e que surgiu depois de ouvirem, “principalmente, os pais” dos utentes que acompanham nas suas clínicas “desabafarem que não visitam a Feira de São Mateus pelo excesso de estímulos, nomeadamente luzes, cores e som, que pode provocar crises a crianças autistas”, por exemplo.
“Em caso de crise esta sala está equipada com elementos que ajudam a acalmar a mente. As pessoas estão o tempo que precisam e quando se sentem bem seguem a sua vida”, adiantou Sandrina Sousa.
Este ano, a Sirculos tem também um ‘kit’ sensorial que “pode ser emprestado às famílias enquanto visitam a Feira de São Mateus”, uma “espécie de primeiros socorros na eventualidade de perceberem que estão a perder” o controlo.
O saco contém “vários elementos usados na autorregulação e ainda mapas sensoriais e painéis de comunicação aumentativa e alternativa”.
“Este mapa indica à família, tendo em conta o sentido em que a pessoa é mais sensível, quais as zonas de maior risco. Por exemplo, se for mais sensível aos sons, aqui percebem onde é que esse estímulo é mais forte até para se prepararem”, indicou Sandrina Sousa.
Isto porque o ‘kit’ sensorial é também composto por abafadores, uma espécie de auriculares que “reduzem imenso os sons e barulhos à volta” das pessoas.
A comunicação aumentativa e alternativa, que também integra o ‘kit’, é o projeto piloto deste ano que a Sirculos deseja alargar à Feira de São Mateus a partir de 2027.
“Atualmente temos os mapas em dois espaços” de restauração e nos WC do pavilhão Multiusos, “mas era bom estar em todo o lado para uma maior e melhor integração e conforto” das famílias, defendeu Sandrina Sousa.
Desenvolvido pelo grupo de terapeutas da fala da Sirculos, esses “pequenos cartazes” têm o alfabeto e imagens, “usadas em qualquer país do mundo, para que um cidadão que não consiga verbalizar, ou tenha dificuldade na fala, possa comunicar as suas necessidades, principalmente as mais básicas”, como pedir o que comer.
“Se os stands, os espaços, tiverem esse pequeno cartaz, está a incluir e a facilitar a comunicação com qualquer cidadão e isso promove conforto emocional, que é primordial para o bem-estar do cidadão e da família”, defendeu.
Enquanto o casal falava à agência Lusa, a sala foi procurada por uma menina, acompanhada pela mãe, francesas, que “tiveram conhecimento do espaço no ano passado, mas não precisaram e, desta vez, recorreram” ao espaço.
“Tive uma jovem adolescente autista que estava em crise e entrou com a mãe. À saída, foi a própria menina quem veio agradecer por esta sala existir aqui na feira”, relatou à agência Lusa Beatriz Fernandes.
Esta terapeuta da fala – que juntamente com outras terapeutas marcam presença no certame – contou ainda que o espaço tem sido alvo de “curiosidade, mas também de procura por parte de educadores e professores para conhecerem e levarem a ideia para as escolas e implementarem” no meio escolar.
“O que mais ouvimos aqui é que as escolas não têm este tipo de equipamento para ajudarem a comunidade escolar em momentos de crise”, relatou Beatriz Fernandes.