Dezenas de crianças do primeiro ciclo estiveram esta sexta-feira reunidas no Solar dos Peixotos, para a 17ª edição da Sessão Plenária da Assembleia Municipal Infantil. O mote desta sessão, que decorreu a partir das 09h30, foi “1974-2024 – 50 Anos em Liberdade”.
No ano em que se assinalam os 50 anos da Revolução dos Cravos, os alunos do quarto ano do concelho de Viseu marcaram presença no local onde é realizada a Assembleia Municipal de Viseu. Na cerimónia estiveram ainda presentes o presidente da Assembleia Municipal, Mota Faria, o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, o vereador da Educação, Pedro Ribeiro, assim como os deputados municipais, Pedro Alves, do PSD, e Lúcia Araújo, do PS.
Participaram na Assembleia Municipal Infantil os cinco agrupamentos do concelho – Grão Vasco, Viso, Norte, Infante D. Henrique e Mundão – assim como os colégios da Imaculada Conceição e Via Sacra. Depois de empossados pelo presidente da Assembleia Municipal, os “deputados mais jovens” apresentaram em grupos as suas propostas e moções, acompanhados de um vídeo a ilustrar o seu subtema. De entre os trabalhos desenvolvidos incluiu-se também a realização de um cartaz alusivo ao tema da sessão plenária, neste caso os 50 anos do 25 de Abril.
A sessão plenária desta sexta-feira teve inclusive direito a depoimentos do presidente da Câmara Municipal de Viseu sobre as suas vivências antes do 25 de Abril. “Os alunos não tinham condições, e eu lembro-me que muitos chegavam à escola descalços. Alguns até, recordo-me, com a broa e a sardinha na mão, entravam na sala de aula assim e levavam logo uma grande reprimenda. Mas era de facto totalmente diferente dos dias de hoje”, afirmou o autarca septuagenário. “É importante conhecerem esta realidade antiga, só assim é que podem dar valor à escola que têm.”
O presidente salientou, contudo, que nem tudo era negativo. “É extremamente importante aquela parte em que os alunos brincavam no recreio e se responsabilizavam por manter os canteiros, uma atividade que eu gostava muito”, contou. O autarca falou dos exames que era necessário realizar, no final da “quarta classe”, para aceder “à Escola Industrial e Comercial e ao Liceu Nacional de Viseu, hoje escola Alves Martins”. “Eu, juntamente com mais cinco colegas da minha aldeia, para ir para o ensino secundário, fazíamos todos os dias 12 quilómetros a pé, seis para a escola e seis de regresso, para termos aulas”, contou o autarca.
“Acho que juntamente com a liberdade, a maior conquista do 25 de abril é o poder autárquico e municipal”, afirmou Fernando Ruas. Relembrando um pouco da sua vida após o ensino secundário, o autarca mencionou o momento em que iniciou o serviço militar. “Eu fiz quatro anos obrigatoriamente na tropa e interrompi os estudos, porque estava a meio da faculdade. Saí para a tropa e devo dizer que não me fez mal nenhum. Também tive a sorte de não ir à guerra”, assumiu.
Fernando Ruas contou aos mais novos que terminou o serviço militar obrigatório um mês antes da Revolução dos Cravos, que contou com alguns heróis seus conhecidos. “O Capitão Salgueiro Maia foi meu companheiro e camarada de tropa, embora ele fosse meu superior, que eu era alferes miliciano e ele era capitão de quadro. Conhecemo-nos muito bem”, salientou o septuagenário.
“Há que saudar, porque foi num tempo arriscado e foram pessoas que arriscaram a própria vida. Felizmente não houve ninguém que se lembrasse de disparar um tiro, senão tínhamos uma guerra civil. Temos a partir daí a liberdade. Agora temos de a preservar. Só faremos justiça àquele movimento se todos cumprirmos a nossa obrigação”, concluiu o presidente da Câmara Municipal de Viseu.
A sessão plenária da Assembleia Municipal Infantil foi transmitida em direto pela internet, contando a Assembleia Municipal com o apoio de alunos da Escola Profissional Mariana Seixas.