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Da saúde à cultura, dos transportes à política, passando pelo crime e sociedade, em 2022 houve de tudo um pouco no distrito de Viseu. O ano mal tinha começado e a região já era notícia por todo o país e não pelas melhores razões.
Foi em fevereiro que um homem, de 63 anos, recebeu bombeiros e autoridades com tiros de caçadeira em Canas de Senhorim, no concelho de Nelas. José Carlos Guerra acabou acusado de mais de 10 crimes, cinco por homicídio. O taxista alvejou três bombeiros, feriu um militar da GNR e uma popular. Este foi, provavelmente, um dos acontecimentos do ano e que chocou a comunidade.
Mas, antes da revista pelos momentos que ninguém quer lembrar, sobretudo a poucas horas do novo ano, recordemos a música, o cheiro a farturas e a reunião de milhares de pessoas no regresso em grande das festas, depois de dois anos de pandemia. A mítica Feira de São Mateus, em Viseu, foi um desses exemplos.
A feira franca voltou a encher-se e bateu todos os recordes de entradas, com mais de um milhão e 200 mil pessoas, uma médica de 25 mil entradas diárias.
E por falar em pandemia, foi este ano que os Centros de Vacinação fecharam na região. Em Viseu foram administradas mais de 300 mil vacinas. O que também se fechou este ano foram as torneias, na região e no país.
Semanas de seca extrema que deixaram as barragens praticamente vazias e com a população a ter que poupar cada gota de um bem tão precioso. A Barragem do Vilar, em Moimenta da Beira, por exemplo, chegou a mínimos de 13 por cento de capacidade, a produção de energia teve que ser suspensa e a rega contida. A autarquias apostaram em medidas drásticas, encerraram piscinas, desligaram torneias e lançaram alertas à população.
Um ano que não foi fácil, sobretudo no que diz respeito à criminalidade. Além do episódio que marcou o arranque do ano, foram sendo conhecidas outras condenações e casos que não deixaram ninguém indiferente. Exemplo disso é acusação de um padre de coação sexual agravado, na forma tentada, e de um crime de aliciamento de menores para fins sexuais. Luís Miguel Costa, de 46 anos, terá tentado envolver-se sexualmente com um jovem, na altura com 14 anos. Apesar do caso ter acontecido no ano passado, o Ministério Público só acusou o pároco este ano. Vai começar a ser julgado em fevereiro de 2023. Outro caso que fica na agenda de 2022 é a de um antigo comandante dos bombeiros de Resende condenado a 12 anos de prisão por abuso sexual a duas jovens deficientes.
Já em Castro Daire, a condenação de três arguidos, que estavam acusados de ter matado uma mulher em Lamelas, a penas de prisão de 25 e 24 anos. Em Armamar, também nos primeiros meses do ano, um homem esfaqueou a mulher no pescoço com um x-ato e acabou por se suicidar. Em Viseu, um caso que também chocou a população. Quatro jovens estudantes foram acusados de violar à vez uma rapariga de 18 anos, tudo aconteceu durante uma saída à noite.
Na região, ao longo desde ano, há ainda a lamentar várias mortes, de onde se destacam as mais chocantes, por envolverem crianças e jovens. Em Moimenta da Beira chorou-se a morte de uma menina de seis anos que caiu num poço e em Viseu a de uma jovem de 15 anos que morreu atropelada em Fragosela e de um jovem de 19 anos que morreu ao ser atingido por um pinheiro.
Façamos agora uma retrospetiva à saúde, onde se destacam as obras nas Urgências do Hospital de Viseu, as promessas do Centro de Radioterapia e a abertura de uma Unidade de Saúde Familiar. Começamos pelas obras das urgências, que arrancaram este ano, depois de vários avanços e recuos. O serviço está atualmente instalado numa unidade modelar e as intervenções já deveriam ter terminado em outubro, mas estão atrasadas e sem data para a reabertura.
O Centro Oncológico, promessa de há muito para Viseu, teve este ano houve “luz verde”, o serviço é uma das 13 obras na Saúde que o Governo se compromete a levar a cabo no próximo ano, isto de acordo com a proposta de Orçamento de Estado para 2023.
Outro destaque da saúde, e que aconteceu a terminar o ano, é a abertura da Unidade de Saúde Familiar (USF) São Teotónio, em Viseu, um ano depois de estar pronta. O serviço de saúde está agora a funcionar na Casa das Bocas, um edifício do século XVII e vai servir nesta primeira fase 8.100 utentes, sendo que 5.000 não tinham médico de família atribuído.
Na cultura, recordamos a saída de Patrícia Portela da direção artística do Teatro Viriato, em Viseu, o regresso de várias iniciativas que estiveram paradas ou a meio gás devido à pandemia, como o Tom de Festa em Tondela, Hardmetalfest em Mangualde ou os Jardins Efémeros em Viseu.
Quanto a este último, se 2022 foi o ano do regresso em pleno do evento, este foi também o ano em que a organização levou um “não” do Governo no apoio à realização da próxima edição, situação que pode por em causa a sua organização. Este foi também o ano da saída da Companhia Paulo Ribeiro de Viseu, após 25 anos de ligação.
Continuamos a viagem por 2022, mas de autocarro porque de comboio não será possível. Em abril, a Linha da Beira Alta foi encerrada para obras, deixando a região sem acesso a caminhos de ferro. A data prevista para a reabertura da linha era o próximo mês de janeiro, o que não vai acontecer já que as obras estão atrasadas. E, em boa parte, por culpa do IP3, cujas obras obrigaram a vários cortes, desvios e muito trânsito e queixas naquele itinerário ao logo de 2022.
A Declaração de Impacto Ambiental relativa à Duplicação do IP3, Coimbra – Viseu, que não validou a nova Variante a Santa Comba Dão, tendo sido antes aprovada a solução de duplicação do atual troço do IP3, obrigou à demolição da atual obra de arte (viaduto) da Linha da Beira Alta no cruzamento com o IP3. Por isso, explicou na altura a Infraestruturas de Portugal, decidiu-se “avançar com a execução imediata destes novos trabalhos”, comprometendo assim o final da obras em janeiro de 2023.
Ainda os comboios e a notícia que apanhou todos de surpresa já a fechar o ano: Viseu vai estar ligado ao comboio de alta velocidade, segundo o Plano Ferroviário Nacional. O documento prevê que as 10 maiores cidades do continente – Lisboa, Porto, Leiria, Aveiro, Coimbra, Braga, Guimarães, Viseu, Évora e Faro – estejam ligadas por alta velocidade. O plano pretende a criação de uma nova linha entre Aveiro, Viseu, Guarda e a fronteira com Espanha.
E já que se fala de alta velocidade, não se podia fazer uma retrospetiva a este ano sem lembrar que a região recebeu as filmagens de um dos campeões de vendas de bilheteira: Velocidade Furiosa. O novo filme da trama foi rodado em vários países, incluindo Portugal, mais propriamente a zona Norte e Centro e na região de Lisboa. Castro Daire, Lamego e Viseu foram alguns pontos de passagem.
A região foi ainda “produtora” de outros momentos marcantes, foi de Viseu que saiu a 1ª Força destacada para a Roménia. É de Mangualde a comandante da Base Aérea N.º 6, no Montijo, Diná Azevedo, que se tornou assim a primeira mulher a assumir este cargo. Ainda Mangualde e a notícia de que a Stellantis, antiga PSA, passou a produzir viaturas da marca Fiat, um novo carro que até foi “testado e aprovado” pelo Presidente da República, que esteve presente no anúncio.
O ano ficou ainda marcado pela renuncia de José António Jesus ao mandato de presidente do Município de Tondela. O pedido de renuncia chegou depois de o agora ex-autarca saber que o Tribunal da Relação de Coimbra havia confirmado a perda de mandato. O edil, eleito pelo PSD tinha suspendido o mandato enquanto presidente da autarquia, após a condenação em novembro de 2021, pelo Tribunal de Viseu, a cinco anos de pena suspensa por crimes de falsificação de documentos e crime de peculato de titular de cargo político.
Estes são apenas alguns dos momentos que marcaram 2022 um pouco por toda a região. Muito mais haveria para relembrar, mas agora é dizer adeus ao ano velho e deixar entrar o novo, porque para ao ano há mais!