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O taxista acusado de ter disparado tiros de caçadeira contra operacionais que acorreram a um incêndio numa garagem e serralharia de Vale de Madeiros, no concelho de Nelas, deve conhecer esta quarta-feira a sentença.
A leitura do acórdão está marcada para o Tribunal de Viseu. O Ministério Público (MP) pediu uma condenação entre 18 a 20 anos.
O homem de 64 anos está acusado de 12 crimes, entre os quais quatro de homicídio qualificado agravados, na forma tentada, e um de homicídio simples agravado, na forma tentada.
De acordo com a acusação, na tarde de 16 de fevereiro de 2022, através de uma janela, o homem disparou contra bombeiros voluntários de Canas de Senhorim que foram combater o incêndio.
Um bombeiro foi baleado numa perna, outro no abdómen e um terceiro num antebraço. Também um militar da GNR que estava a fazer um cordão de segurança para impedir a aproximação de pessoas ao local foi atingido numa coxa e uma mulher ficou ferida na cara.
A lista de crimes inclui ainda um de incêndios, explosões e outras condutas especialmente perigosas, um de detenção de arma proibida, um de resistência e coação sobre funcionário agravado e quatro de coação agravados.
Apesar de, na fase de inquérito, este processo não ter sido qualificado como sendo “de especial complexidade”, ele foi depois considerado prioritário, uma vez que o arguido se encontra em prisão preventiva, cujo prazo máximo ocorre este mês.
O julgamento começou a 29 de maio. Na primeira sessão, o taxista negou que tivesse intenção de os ferir ou matar, justificando que apenas queria impedir que o incêndio que provocou numa antiga serralharia fosse apagado.
O arguido admitiu que, na tarde de 16 de fevereiro de 2022, disparou tiros de caçadeira colocando o cano para fora junto à base inferior de dois postigos da adega subterrânea onde estava e que pretendia atingir “o murete (muro baixo), nunca as pessoas”.
No que respeita aos tiros contra dois bombeiros que estavam com a agulheta a apagar as chamas, explicou que “estava a disparar para a água”, com o objetivo de os levar a desistirem, para que as chamas destruíssem os bens, como tinha planeado.
O homem sublinhou que, “mesmo estando descompensado”, nunca foi sua intenção matar alguém e fez questão de informar o coletivo de juízes de que vários membros da sua família pertenceram aos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim e que ele próprio reconstruiu o edifício da corporação.