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Cinco mulheres, com idades entre os 65 e os 93 anos, trocaram no sábado a tranquilidade do quotidiano por uma noite ao som de guitarras e baterias no festival Milagre Metaleiro, em Pindelo dos Milagres, numa experiência inédita para todas.
Amélia Lopes, Amélia Gomes, Ana Lopes, Margarida Reis e Filomena Mesquita, utentes do Centro Social Paroquial de Rio de Loba (Viseu), aceitaram o desafio lançado pela instituição e participaram pela primeira vez num festival de música metal.
Acompanhadas por Vanda Rodrigues, Ana Sousa, Euroflina Rodrigues e Cecília Almeida, elementos da equipa da instituição, as cinco mulheres saíram do Centro no início da noite de sábado e regressaram já durante a madrugada de domingo.
Entre o som das guitarras, a força da bateria e o ambiente do recinto, não faltaram dança, sorrisos, surpresa e diversão, numa noite que rapidamente se transformou numa experiência para recordar.
Aos 93 anos, Filomena Mesquita foi uma das participantes mais entusiasmadas e não escondeu a satisfação com a oportunidade de experimentar algo completamente diferente.
“Isto é muito bom. Nunca tinha estado num ambiente parecido. Fico muito contente com a possibilidade de poder viver esta experiência”, afirmou.
Questionada sobre se repetiria a experiência numa próxima edição do festival, a resposta surgiu sem hesitação: “Voltava, pois! Para o ano estou cá outra vez, se Deus quiser”.
A ideia partiu de Vanda Rodrigues, educadora social e diretora técnica do Centro de Dia e do Serviço de Apoio Domiciliário do Centro Social Paroquial de Rio de Loba, conhecida pelas atividades que procuram desafiar os utentes a sair da rotina.
“Para nós, é assim que o nosso trabalho faz sentido: termos a possibilidade de proporcionar novas experiências aos nossos utentes. Afinal de contas, a idade não tem de ser uma limitação. Havendo boa vontade e ideias, nem o céu é o limite”, afirmou.
A responsável considera que a disponibilidade dos utentes para aceitar novos desafios permite criar momentos diferentes e memórias que contribuem para um envelhecimento mais ativo e participativo.
“Felizmente, temos os melhores utentes do mundo, que estão sempre recetivos a novas ideias e a novos desafios, mesmo que esses, à primeira vista, pareçam uma loucura. E, às vezes, são. Mas só assim conseguimos criar boas memórias, e isso é o que nos enche o coração”, acrescentou.
A iniciativa contou com a colaboração da organização do Milagre Metaleiro, que, segundo Vanda Rodrigues, acolheu desde o primeiro momento a proposta de levar as utentes ao festival.
“Estamos imensamente agradecidos ao pessoal da Milagre Metaleiro – Associação Cultural por nos ter possibilitado esta experiência de uma forma tão incrível”, afirmou.
A educadora social destacou ainda o envolvimento da equipa do Centro Social Paroquial de Rio de Loba, considerando que a concretização da iniciativa só foi possível através do trabalho conjunto.
A presença das cinco mulheres no festival acabou também por despertar a atenção de outros participantes, numa noite em que a música serviu de ponto de encontro entre diferentes gerações.
A iniciativa procurou promover um envelhecimento ativo e participativo, mostrando que a idade não constitui necessariamente um obstáculo à descoberta de novas experiências.
E, pelas palavras de Filomena Mesquita, aos 93 anos, a noite de metal em Pindelo dos Milagres poderá não ter sido a última aventura: “Para o ano estou cá outra vez, se Deus quiser”.