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Contam chegar à Polónia esta quinta-feira (10 de março) ao final da tarde. O objetivo? Ajudar o povo ucraniano.
Alexandre Antunes é natural de Tabuaço e integra um grupo de nove voluntários do distrito de Viseu que estão a caminho da Polónia. Para trás já ficou Portugal, de onde partiram no início da semana, Espanha e a fronteira da Alemanha.
Este grupo de voluntários integra uma coluna humanitária composta por mais de duas dezenas de veículos e conta trazer para para Portugal 220 refugiados do conflito entre Rússia e Ucrânia que dura há duas semanas.
“Reuninaram-se vários grupos de voluntários e conseguiu-se uma coluna humanitária de 24 veículos. Uma coluna de marcha que tem alguma complexidade. Na chegada à Polónia vai haver uma separação destes meios, uns ficam na fronteira com a Ucrânia, outros vão para a capital polaca, outros para outros sítios, para conseguirmos chegar a todo o lado”, conta Alexandre.
Esta aventura, de total solidariedade, surgiu depois de “uma pessoa amiga ter pedido ajuda para trazer familiares”.
“Não estávamos à espera que isto seria assim. Quando pensámos nisto era para ajudarmos uma pessoa, que nos disse que tinha uma familiar com três crianças e a sogra que estava a escassos quilómetros da fronteira, que estava com receio de atravessar e ficar numa situação pior. Ficámos sensibilizados e quisemos ajudar”, lembra.
A carrinha, que Alexandre diz ser movida a fé, foi emprestada pelo padre da paróquia de Arcozelo, em Moimenta da Beira. “Uma viatura um pouco antiga mas que, ainda assim, nós quisemos usar para ajudar”, diz.
Com a comitiva de voluntários de Viseu vão duas carrinhas de nove lugares e um autocarro de 50 lugares, que veio de Tarouca.
Com Alexandre Antunes seguem mais oito pessoas, entre elas dois bombeiros das corporações de Penalva do Castelo e Vila Nova de Paiva. “É de destacar os comandantes destas corporações que não hesitaram em deixar vir os seus homens. Foi tudo muito de repente e mesmo assim a compreensão foi total”, destaca Alexandre Antunes.
A coluna humanitário é composta por uma equipa multidisciplinar com pessoas da Cruz Vermelha, bombeiros, ex-militares e pessoas ligadas à área da saúde ou educação.
Alexandre Antunes explica que o grupo de Viseu não está ligado a nenhuma associação e que todos se alistaram como voluntários. “Não estamos diretamente ligados a uma associação, quando iniciamos esta ação contactamos a embaixada ucraniana em Portugal, mas há uma associação que de alguma forma coordena, a Ukrainian Refugees UAPT”, explicou.
Alexandre conta também que quando se soube desta ação foram muitos os que pediram apoio, inclusive a própria embaixada. “Quando contactámos a embaixada da Ucrânia disseram que mais do que comida e roupa precisavam que trouxéssemos pessoas que tivessem familiares em Portugal”, lembra.
A ideia é serem “céleres” nesta missão que esperam concluir em pouco tempo, “para também não atrapalhar quem está na Polónia”. Com eles, vão trazer pessoas “já sinalizadas”.
“Vamos tentar ser o mais cirúrgicos possível e não ficar mais do que o necessário, até para não atrapalharmos. Ficarmos um dia, talvez. As pessoas já estão sinalizadas, têm familiares em Portugal. E quando chegarmos lá, vamos certificar-nos de que estamos a trazer as pessoas certas e não a trazer alguém que não tenha para onde ir e acabamos por lhe complicar ainda mais a vida”, esclarece.
Para além de uma enorme vontade em ajudar, a coluna humanitária leva material médico de primeira intervenção, “não só para ajudar quem está lá mas também para ajudar quem virá da Polónia e que está em situações precárias”, destaca.
E para que toda esta ação possa ter um final feliz, Alexandre diz que “é preciso alguma ajuda, sobretudo financeira para que se consiga chegar lá”.
E antes de terminar a chamada, garante-nos que assim que chegar ao destino vai tirar uma fotografia com a carrinha junto à placa da Polónia, para poder enviar ao “senhor padre”. “Quero que ele veja que a carrinha que nos emprestou, mesmo velhinha, participou numa ação humanitária”.
E em jeito de brincadeira desabafa: “Não sei se vamos conseguir lá chegar, mas ela não é movida a combustível, é movida a fé!”.