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“O coração está apertado, a alma dói”, as palavras são de Tetyana Borsvk, mas poderiam ser de qualquer outro ucraniano que por estes dias, e ao longe, está a sofrer pelos seus.
Tetyana está em Portugal há mais de uma década e é na Ucrânia que tem a família e os amigos. Com ela, em Viseu, vive o marido e filhos. “Não podia imaginar, no meu pior pesadelo que isto fosse acontecer. Não quero acreditar. Tenho lá os meus pais, os meus irmãos, sogra, sobrinhos, primos, amigos, todos estão lá”, desabafa.
A terra natal de Tetyana, e onde se encontra grande parte da família e amigos, é Lutsk e fica a mais de mil quilómetros do epicentro do conflito com a Rússia, mas no dia em que a Ucrânia foi invadida Lutsk também foi atacada.
“O que dói mais ainda é ver zonas a serem atacadas e que nada têm a ver com esta situação. Como a minha cidade, que fica tão longe e também foi atacada, os cidadãos não sofreram mas destruíram um aeródromo militar e uma torre de televisão que estava na cidade”, conta.
Tetyana soube da notícia da invasão do seu país de madrugada e não mais conseguiu dormir. “Falei com a minha irmã que contou que ouviu as explosões e estava com a filha, teve medo e acabou por se esconder. As escolas e infantários fecharam. É muito difícil, eles estão lá e nós aqui, distantes”, desabafa ao mesmo tempo que não consegue conter as lágrimas.
Com 50 anos, Tetyana conta que desde pequena ouviu os avôs contar histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, onde a Ucrânia também foi invadida, mas nunca imaginou estar a ver o seu país novamente num clima de terror e medo.
“Os meus avós participaram na Segunda Guerra mundial e contaram-me histórias durante o meu crescimento. O meu avô era convidado muitas vezes para ir a escolas falar e no final dizia sempre: espero que nunca saibam o que é a guerra. O que estamos a viver é surreal. Tínhamos a paz como uma coisa normal, não imaginávamos outra situação”, conta.
Tetyana lembra os tempos de estudante, na Ucrânia, e mais tarde o estágio, que fez na Rússia, e garante que nunca teve problemas, nem nunca sentiu um clima me medo ou insegurança. “Quando estagiei tínhamos um grupo de mais de 20 pessoas, desde russos, bielorrussos, azerbeijanos, lituanos, e nunca tivemos problemas. O que eu acho é que ninguém quer guerra, só os políticos”, atira.
Quando perguntamos se trazer a família é uma opção, Tetyana garante que os seus não querem sair. “Aquele é o país deles, a terra deles, eles não querem sair, eles só queriam poder viver em paz”.
Apesar do coração estar apertado e da alma doer, Tetyana termina dizendo que apesar de tudo isto ser surreal não vai deixar de ser “otimista”.
Rossio recebeu mais de uma centena que pediu paz. Municípios do distrito expressam solidariedade
Na noite de quinta-feira, um dia depois da Rússia invadir a Ucrânia, cerca de uma centena de pessoas apelar à paz na Ucrânia. A comunidade ucraniana residente em Viseu, em todo o distrito são mais de duas centenas, saiu à rua com cartazes, palavras de apelo e muita apreensão no olhar.
Foram muitos os que contaram que não têm conseguido falar com os familiares, a dor maior que se lhes foi vendo no olhar.
Também alguns municípios já manifestaram publicamente o apoio à Ucrânia. Moimenta da Beira foi um dos exemplos e em comunicado expressou a solidariedade do presidente da autarquia, Paulo Figueiredo, “à Ucrânia, ao seu povo que sofre os horrores da guerra, desejando que o conflito termine muito rapidamente para o bem do mundo”. Também o presidente da Assembleia Municipal, João Xavier, declarou idêntico desejo, apelando ao fim do conflito.
Carregal do Sal foi outros dos municípios a partilhar nas redes sociais o seu apoio ao povo ucraniano, chegando mesmo, “num gesto de solidariedade para com a Ucrânia”, iluminar o edifício dos Paços do Concelho com as cores da bandeira daquele país.