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O livro da ambientalista Annie Leonard “A História das Coisas” serve de ponto de partida para o espetáculo com o mesmo nome que a companhia Mochos do Telhado estreia na próxima quinta-feira (9 de março) no Teatro Viriato, em Viseu. A história de um casal que tem um filho com o nome Mundo é a “desculpa” para se falar do consumo excessivo que está a destruir o planeta.
E foi o impacto que o livro deixou na vida da encenadora Sofia Moura que o espetáculo surgiu.
“Eu dei de caras com este livro há cerca de oito anos e teve um grande impacto na minha vida. É muito fácil ter consciência, mas até modificar os nossos hábitos vai uma grande distância. Por isso queria um compromisso maior”, disse durante a apresentação do espetáculo.
Para a encenadora, a peça não é uma “aula”, mas antes uma interpretação criativa de um livro que é “muito técnico e muito informativo”.
“Nós não somos especialistas nisto. Lemos um livro e, a partir daí, quisemos fazer alguma coisa, mas não estamos aqui para ensinar uma lição a alguém”, frisou.
E a forma encontrada foi recorrer à metáfora à volta do casal que é interpretado por Ana Arinto e Edi Gaspar.
“É um casal que tem duas posições que todos temos dentro de nós: tenho uma preocupação (com as questões ambientais), mas também quero o meu conforto. O casal a dada altura tem um filho e chama-lhe Mundo”, explicou Sofia Moura.
“Há uma série de trocadilhos, de duplos significados dentro da peça. Como está o Mundo? Está desassossegado, está com febre. Há sempre esta brincadeira com os duplos significados e os mal-entendidos entre o casal”, acrescentou.
Já Dennis Xavier, diretor artístico, contou que houve a preocupação, que a companhia pretende estender a outras criações, de construir o cenário com materiais que iriam para o lixo.
“São lonas publicitárias, impressas uma vez e que seguem para o lixo. Construímos o cenário a partir dessas lonas publicitárias e gostaríamos de inspirar outras companhias”, disse.
Depois de Viseu, o espetáculo da companhia Mochos no Telhado segue para Idanha-a-Nova, Lamego, Tondela, Castro Daire, Castelo Branco, Guarda, Santa Maria da Feira e Mangualde, até junho.
Nalguns destes locais, haverá sessões destinadas aos alunos do terceiro ciclo e do secundário, no final das quais poderá haver uma conversa sobre o tema.
A companhia não quer que este projeto acabe com o espetáculo e tem já planos para lhe dar continuidade em 2024, num formato de espetáculo/palestra que possa ser levado às salas de aula.
O projeto “A História das Coisas” conta com financiamento do município de Viseu (Eixo Cultura) e da Direção-Geral das Artes (Programa de Apoio em Parceria – Arte e Ambiente). Na apresentação, a vereadora da Cultura, Leonor Barata, destacou o facto de se tratar de “mais uma estreia” de um projeto apoiado pelo município e realçou a “consistência” do trabalho da companhia. “É a prova de que estes apoios dão fruto”, sublinhou.