A vida de Orlando Pinto mudou em agosto de 1982 quando deixou a região de Viseu e emigrou para o Luxemburgo. Na altura, estava a trabalhar numa empresa familiar. Abandonou Portugal para tentar a sua “sorte”, como diz, num país com uma forte comunidade portuguesa.
Quando chegou ao Luxemburgo, há 38 anos, começou por trabalhar numa empresa de construção civil onde aprendeu o ofício.
De funcionário passou a patrão 20 anos após ter radicado no país localizado no centro da Europa. Em 2002 abriu a própria empresa, a Sopinor. A companhia inicialmente empregava quatro pessoas e hoje dá trabalho a mais de 550 colaboradores.
“No Grupo 90 por cento das pessoas é de origem portuguesa. Os restantes 10 são luxemburgueses, franceses, belgas, espanhóis, italianos e montenegrinos”, explica.
A empresa de Orlando Pinto está envolvida numa das maiores obras atualmente em curso no Luxemburgo, o Luxtram, o metro de superfície do país. Trata-se de um projeto que, segundo as palavras do empresário, vai “mudar a cara e a imagem da capital luxemburguesa”.
O emigrante português está mais do que adaptado ao país que agora também é o seu, mas não esconde que os primeiros tempos foram difíceis “por causa do clima e, sobretudo, por ter deixado parte da família e amigos” em Portugal, mas com o tempo foi-se adaptando.
Orlando Pinto explica que no processo de integração à nova realidade foi fundamental a aprendizagem do francês, uma das línguas oficiais do país.
“Com esforço e força de vontade consegui demonstrar a qualidade do meu trabalho e o profissionalismo”, refere.
Com 38 anos de Luxemburgo, o empresário diz que gosta de “quase tudo” na nação que o acolheu.
“A saudade [de Portugal] aperta várias vezes por ano” e por essa razão Orlando regressa sempre que pode ao país e à região que o viu nascer, mas por enquanto ainda não tem planos para voltar a terras lusitanas até porque o grupo empresarial que lidera está em plena expansão.
A pandemia da Covid-19, que afeta o planeta há mais de um ano, também mudou a sua vida. Passou a ter cuidados que não tinha até aqui e reduziu os contatos pessoais e profissionais. É do convívio com amigos e familiares que mais sente falta.
Orlando Pinto elogia ainda a resposta do Governo luxemburguês à pandemia, destacando a rapidez das medidas que foram adotadas, ainda que defenda que há aspetos que podiam ser melhorados. Também por isso não sentiu necessidade e vontade de regressar a Portugal de vez.