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Utentes preparam ações de luta para travar encerramento da urgência pediátrica em Viseu

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 Utentes preparam ações de luta para travar encerramento da urgência pediátrica em Viseu - Jornal do Centro
25.05.24
fotografia: Jornal do Centro
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 Utentes preparam ações de luta para travar encerramento da urgência pediátrica em Viseu - Jornal do Centro
25.05.24
Fotografia: Jornal do Centro
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 Utentes preparam ações de luta para travar encerramento da urgência pediátrica em Viseu - Jornal do Centro

Como é que este anúncio foi recebido pela Comissão de Utentes?
Quando pensamos que já nada nos espanta, ficamos espantados com esta situação. Sobretudo quando alguém vem dizer que a responsabilidade é dos utentes porque vão muitas vezes às urgências e sobrecarreguem os serviços e que porque isso é que os serviços deixam de funcionar. Temos uma dificuldade muito grande em perceber esta lógica e temos esta dificuldade porque é uma situação que se arrasta há demasiado tempo, primeiro foi um dia, depois foram dois, foram períodos e agora é toda a semana. E nós perguntamos: como é que isto vai funcionar em relação às crianças e às famílias, sendo que os centros de saúde estão fechados aos fins de semana e feriados? Vão para onde? E depois parece que ninguém é responsável a não serem os utentes. O Ministério da Saúde não é responsável, o governo não é responsável, a administração do hospital não é responsável, o chefe de serviço do hospital, que nem sequer dá a cara, não é responsável, portanto, somos nós, com os nossos filhos e netos, é que somos responsáveis pelo encerramento de um serviço. E ao mesmo tempo assistimos a uma rapidez, quase super sónica, em demitir quadros superiores da administração, para isso há capacidade e planeamento, para resolver os problemas concretos já não há. Estamos a falar das crianças que são o futuro do nosso país e que estão a ser tratadas abaixo de cão. Esta situação é inadmissível e exigimos que alguém dê a cara, que expliquem o que se está passar e que arranjem soluções.

Foram apanhados de surpresa?
Na realidade não nos apanham propriamente de surpresa, mas não imaginávamos que fossemos chegar a esta situação. Tínhamos esperança que houvesse caminho a ser feito para resolver os encerramentos periódicos. Agora, encerrar a semana toda… E agora, qual é a alternativa? Vamos para Coimbra, Vila Real?

Que impacto tem esta decisão do hospital?
Provavelmente, o agravamento das doenças das crianças. O que vão fazer os pais ou os familiares de uma criança que adoeça aqui? Vão para o privado? Até pode ir, se tiver dinheiro ou esse é o objetivo, que comecem a ir para o privado? Esta decisão revela uma enorme falta de planeamento e uma falta de capacidade de gestão que deveria levar à demissão imediata de todos os responsáveis, começando pela ministra.

O hospital justifica a decisão com a falta de médicos especialistas.
Em Portugal não faltam médicos, faltam é médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que é uma coisa muito diferente e por uma gestão danosa do serviço. Não acreditamos que as administrações todas, começando pela ministra, foram apanhados de surpresa porque seria incompetência a mais. Ou isto é deliberado ou então estão a brincar com a saúde das pessoas. É de uma irresponsabilidade total fazer algo como isto. Se se fecham os serviços de urgência de pediatria, qualquer dia fecham-se os outros serviços de urgência. Ponho-me na pele de um qualquer gestor hospitalar e não compreendo como não se tomou nenhuma medida, como se chegou a isto. É deliberado ou é incompetência a mais? Em qualquer empresa, se se está a prever que vai haver uma redução de pessoal tomam-se medidas, portanto se não se tomou medidas alguém tem que ser responsável. Esta situação não caiu de repente, já se arrasta há muitos meses e, portanto, é uma situação que era do conhecimento de todos.

O presidente da CIM Viseu Dão Lafões e presidente da autarquia de Viseu frisava isso, que a ministra não tinha conhecimento desta situação.
Como se costuma dizer, há que confiar, mas também há que controlar. Uma ministra que tinha um cargo de direção num hospital como o Santa Maria, em Lisboa, onde também se verificavam constrangimentos em serviços, não sabia o que estava a acontecer? E depois há que lembrar que se fecharam serviços de atendimento permanente nos cuidados primários, isto já vem do tempo do governo de Sócrates. Na região temos um caso gritante, nas vésperas das eleições de 2021, em que em Mangualde se prometeu a abertura de um serviço de urgências, esteve lá tudo, até a ministra. Fez-se uma cerimónia, houve assinaturas e, até agora, nada aconteceu. Se há gente a mais nas urgências hospitalares é porque os cuidados primários de saúde não tem condições para atender as pessoas e impedir que estas recorram ao hospital.

O hospital referiu que os Serviço de Urgência Básica (SUB) de São Pedro do Sul e Tondela podem ser uma opção. No caso de São Pedro do Sul, a comissão de utentes tem feito vários alertas por causa do constante encerramento deste serviço.
Isso é ridículo. Aliás, isso é grave, estão a comer as pessoas por parvas. Se o SUB de São Pedro do Sul ora abre ora fecha como é que vai agora funcionar como deve ser? Eu compreendo que o presidente da CIM esteja a defender o governo, mas isso não tem pés nem cabeça. A senhora ministra não saber, dizer que desconhecia? Isso não faz sentido. Como também não faz sentido dizer que agora os SUB vão resolver o problema. É inadmissível chegar a esta situação e não haver responsáveis, a não ser os utentes. A verdade é que ninguém fez nada e ninguém assume as responsabilidades. É inadmissível e é incompetência a mais para não ser deliberado. Mas não quero acreditar que à frente da ULS esteja uma comissão incompetente, que não é. Isto é surreal!

O hospital tem alertado para essa questão das “falsas urgências” há algum tempo.
Excesso de pessoas a irem para os hospitais sempre houve, ao longo deste século, sobretudo a partir do momento em que se começaram a fechar unidades de cuidados de saúde primários e a alterar horários, mas isso não se traduziu em encerramento de serviços no hospital, portanto tem que haver outra razão. Em 2009 um ministro disse-me que os problemas da falta de médicos estavam resolvidos, entretanto estamos em 2024.

E ainda estamos longe de resolver este problema?
Este problema terá que se resolver com as populações a intervirem, a indignarem-se, porque parece que com as medidas do governo não se resolve.

A comissão está a pensar em formas de luta e de chamada de atenção?
Sim, vamos tomar uma atitude. Temos que contactar os utentes e ver as formas de luta concretas porque esta é uma situação em que não podemos ficar de braços cruzados.

Diz que é preciso alguém dar a cara por esta decisão do hospital. Faria diferença?
Claro, porque assim perde-se a confiança. Vamos imaginar um grande grupo económico, onde há falta de determinados profissionais e por causa disso perdem-se milhares de euros, no mínimo o proprietário despedia a administração toda. Aliás, isso nem iria acontecer porque o proprietário estaria a acompanhar a situação e iria tomar medidas se percebesse que havia falta de trabalhadores.

O conselho de administração diz que não conseguem contratar médicos para o hospital.
E que condições são apresentadas aos médicos? Vamos olhar para a questão do Interior, se fecham serviços públicos, se não há atendimentos nos serviços de saúde, se há portagens em vias em que tinham prometido que não teriam portagens, como aconteceu na inauguração da A25 em que o primeiro-ministro José Sócrates disse que não teria portagens. Com estas situações, como é que querem que as pessoas se fixem no Interior? Se não criamos condições as pessoas não vêm.

Está anunciado o encerramento noturno da urgência pediátrica. Acredita que poderemos vir a ter o anúncio da perda do bloco de partos?
Por exemplo. Aliás, basta recordar o que aconteceu com o hospital de Lamego. Fizeram-se obras, criou-se uma infraestrutura e depois não havia técnicos para os TAC e os raio-x. Perderam-se valências e os partos foram para Vila Real. Portanto, estamos a caminhar para isso. Os serviços públicos são para os utentes e têm que ser montados e estruturados para servirem os utentes. Assim como a justiça não é para os juízes ou para os advogados se andarem a aproveitar, por isso os serviços de saúde têm que ser geridos para servirem os portugueses. Quanto mais deixarem degradar o SNS pior, mas também parece que é esse o objetivo. Parece que se estão a esquecer que o direito à saúde é um direito constitucional, tal como o direito à habitação.

Ao longo dos anos o Interior tem perdido vários serviços, este é mais um. A região está a ficar enfraquecida?
Quando se criaram dois hospitais privados em Viseu, alguns médicos disseram-nos que a região não tinha massa critica para três hospitais. Quem trabalha no negócio da doença não investe se não tiver garantia de retorno, se começam a florescer hospitais privados por todo o lado significa que estão a contar que o Serviço Nacional de Saúde vá perdendo e fique reduzido aos “pobrezinhos”. Dá-se força ao privado e enfraquece-se o SNS. Claro que o privado tem todo o direito de fazer negócio com a saúde, mas a responsabilidade do Estado não é para com esses serviços e não têm que ser os impostos dos portugueses a suportar esses negócios.

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