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Joaquim Alexandre Rodrigues
Estava quase a começar a conferência “Metamorfoses do espaço público”, organizada pelo BEIRA – Observatório de Ideias Contemporâneas, quando o jornalista Amadeu Araújo me espetou um microfone à frente e me desafiou a discorrer sobre «a bolha onde nos acoitamos num mundo que se recusa a distinguir factos de narrativas».
Fui apanhado de surpresa. Brincando um bocadinho, se o Amadeu me tivesse avisado com antecedência, eu podia ter feito como o coronel Odorico de Paraguaçu e decorado um improviso. Assim, de chofre, saiu-me isto:
«São dias difíceis para se destrinçar o que é real do que não é real, este mundo que se chama pós-factual é uma trabalheira para quem não desiste dos factos, como é o caso do meu amigo e como é o meu caso, andamos aqui extenuadinhos de todo»; a que, depois, acrescentei um cinefilice: «o que se cria é um filtro, um biombo, uma narrativa, uma ficção, uma hipnocracia (usando um termo que agora está muito em voga), em que andamos quase como naquele velho filme de Jean-Luc Godard, À bout de souffle, sem fôlego, a tentar chegar [à verdade]»; «cada vez vejo é mais gente a fechar-se numa bolha» e «a internet, como se sabe, é muito nossa “amiga”, todos os algoritmos trabalham para nos deixarem felizes. E como é que os algoritmos nos deixam felizes? Reiteram aquilo que julgam que são as nossas convicções», «estamos sempre a encontrar informação que reforça aquilo que julgamos ser as nossas certezas e o nosso conhecimento do mundo e que depois julgamos até que é o mundo. Isto é, estamos hipnotizados.”
Está tudo em “A pós verdade”, um episódio do podcast “Contador de Estórias”, de Amadeu Araújo, achável no Spotify, que tem também depoimentos de Henrique Monteiro, Manuel Maria Carrilho e da investigadora italiana Valeria Martino.
É claro que quando digo que internet é “muito nossa amiga” estou a ironizar. É exactamente ao contrário. A maneira mais brilhante que já vi para explicar quanto os algoritmos são perniciosos foi numa história de um namoro que li algures e que conto de memória.
Inês tem um namorado que consegue ler-lhe o pensamento: ela pensa em sushi, meia hora depois tem sushi em casa; pensa em rosas, recebe um ramo; imagina um fim-de-semana em Londres, recebe um mail com o bilhete de avião e as reservas do hotel; mal pensa em ir dar uma volta, logo o namorado pega nas chaves.
Maravilhada, a Inês encontra a sua melhor amiga e confidencia-lhe toda esta dedicação. A amiga, horrorizada, avisa-a: “Inês, isso não é amor, isso é violação!”
De certo modo, ao enviesarem-nos em bolhas, os algoritmos estão a fazer-nos o mesmo que aquele namorado faz à Inês.
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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José Carreira
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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Vítor Santos