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Joaquim Alexandre Rodrigues
1. Por alturas do 28 de Maio deste ano da graça de 2026, o país há-de rememorar o dia e o mês e o ano da desgraça de 1926, em que uns militares façanhudos partiram de Braga e assalazararam o país na apagada e vil tristeza da ditadura, um atraso de vida que durou 48 anos e colocou Portugal nos últimos lugares em todos os índices de desenvolvimento.
Para já, a conversa sobre o funesto centenário do 28 de Maio de 1926 ainda não ganhou tracção. Mas isso vai acontecer. Os media e as redes sociais estão sempre em défice de assunto e esta efeméride é sumarenta. Fiquemos tranquilos. Se aguentámos o palavreado sobre a “irremessível” culpa-do-homem-branco proveniente dos “mamadous” e das “lídias-jorges” das esquerdas woke, também havemos de aguentar o revisionismo e a lexiviação histórica do salazarismo operada pelas “cabeças falantes” das direitas radicais.
2. No dia 20, um punhado de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA deitou as gadunhas a Liam Conejo Ramos, uma criança de cinco anos, que estava a chegar a casa vinda do jardim infantil, e usaram-na como isco para prender o seu pai imigrante, Adrian Alexander Conejo Arias. A seguir, aqueles esbirros do sr. Trump levaram Liam e Adrian para um centro de detenção.
Por coincidência, no mesmo dia em que soube deste prende-o-filho-para-apanhar-o-pai, encontrei, num texto antigo pró-Khomeini de Michel Foucault, uma história de prende-o-pai-para-apanhar-o-filho igualmente sinistra: em 1972, a Savak, a polícia política do Xá do Irão, começou por prender o pai do sociólogo Ali Shariati para, com isso, conseguir que aquele “teólogo da libertação” xiita se entregasse nas masmorras do Xá.
3. A situação no Irão é desesperante. O regime dos aiatolás é odiado pelos iranianos. Ciclicamente, há levantamentos populares, quase sempre iniciados por mulheres, que são reprimidos com crueldade.
Desta última vez, fontes do ministério da saúde do Irão reconheceram à revista Time que os aiatolás mataram “pelo menos 30 mil pessoas” nos dias 18 e 19 de Janeiro. A carnificina foi de tal ordem de grandeza que os mortos foram retirados das ruas não em ambulâncias mas em camiões.Ora, três dias depois desta chacina, no dia 22 de Janeiro, o parlamento europeu aprovou um voto de protesto contra a brutal repressão dos aiatolás ao seu povo, um texto exaustivo, factual, que acusa o Irão de financiar “o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iémen, o Hamas em Gaza e as milícias xiitas no Iraque”. O documento mereceu a concordância de 562 eurodeputados (89 %), a discordância de 9 (1 %) e a abstenção de 57 (9 %).
Entre os eurodeputados portugueses presentes, todos condenaram a teocracia iraniana menos Catarina Martins. Esta, sem surpresa, preferiu abster-se. Para Catarina Martins as mulheres iranianas são filhas de um Deus menor. Que pensarão disto os 116.413 portugueses que votaram nesta pessoa na primeira volta das presidenciais?
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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Hugo Monteiro, Associado Sénior, PRA-Raposo, Sá Miranda & Associados
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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João Valor
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Vitor Santos