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Epstein, empregado ou sintoma?

 A síndrome da Lisboaíte de totós e chouriços
07.02.26
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 Epstein, empregado ou sintoma?

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

Os Ficheiros Epstein são um mundo, aliás, muitíssimos mundos. Mais do que os factos e factóides escabrosos que têm chegado ao conhecimento público, tenho preferido seguir com atenção as interpretações, mais ou menos conspirativas, que têm saído sobre o assunto.
Há três teorias principais sobre Jeffrey Epstein e a sua circunstância:
(i) Epstein, empregado dos russos: segundo os seguidores desta teoria, aquele “milionário” trabalhava para os serviços secretos russos e recolectava material com as elites de calças nos tornozelos, em situações comprometedoras, para controlo e chantagem posteriores; há um palavra russa para isto — kompromat (компромат); o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, atravessou-se pela veracidade desta teoria, que também tem muitos cultores em Kyiv.
(ii) Epstein, empregado dos israelitas: é a mesma abordagem conspirativa, com o mesmo algoritmo, só que em vez de ver Epstein como agente da FSB vê-o como agente da Mossad; esta teoria provém do mundo islâmico e é ecoada nas redes sociais das “esquerdas” flotilheiras do Ocidente.
(iii) Epstein, sintoma de decadência: é o tema velho e relho dos “vícios privados, públicas virtudes” dos poderosos, que vai das almas incestuosas dos Bórgias aos “bailes da gravata” dos ricos de Viseu, nos anos de 1960.
Desta torrente enorme de opinião e memes e posts, merece particular a atenção um texto de Pratap Bhanu Mehta, publicado esta semana no Indian Express, com o seguinte título: “Os ficheiros Epstein não são uma ‘história da ilha’, eles são sobre a natureza do poder colectivo”. O ponto de vista de Pratap sobre o “horripilante escândalo Epstein” foca-se na “política global” e num “mundo governado por intermediários oportunistas, personalidades vulneráveis e egos frágeis” que “são a personificação perfeita de decadência moral”.
Menos do que a “culpa ou inocência individual” de cada um dos envolvidos, há aqui um sintoma referenciado por Tácito, Salústio e Lívio, historiadores que “previram o colapso” do império romano, em que episódios como este eram mato.
Diagnostica Prataq Bahnu Mehta: “uma elite tão carente, gananciosa e agora tão vulnerável”, depois dos seus vícios terem vindo a público, “não tem mais autoridade”. Ou é devidamente castigada e substituída por outra ou então, se “sair impune, o caminho” fica “aberto para o niilismo moral” de que “estamos perigosamente próximos.”
Em matéria de eventuais “substituições”, pelo menos para já, Keir Starmer que nunca foi à ilha de Epstein está mais periclitante do que Donald Trump. Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.

 A síndrome da Lisboaíte de totós e chouriços

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