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Os estragos provocados pelo mau tempo no Douro assumem “gravidade particular”, num setor já fragilizado pela pressão sobre os rendimentos dos pequenos e médios viticultores, e exigem respostas “céleres e eficazes”, defendeu hoje a Prodouro.
A Associação dos Viticultores Profissionais do Douro (Prodouro) disse, em comunicado, que a campanha agrícola 2025-2026 iniciou-se de “forma extremamente desafiante” para os viticultores da Região Demarcada do Douro (RDD), já que, entre outubro e janeiro, a precipitação ultrapassou a esperada para um ano inteiro, com fenómenos de chuva intensa acompanhados de vento forte. O mês de fevereiro ainda está por apurar.
As intempéries provocaram “prejuízos muito significativos” nas explorações vitícolas: ruíram muros e taludes de suporte, foram arrastados patamares e socalcos, registaram-se danos em linhas de água e caminhos agrícolas.
“Num setor já fragilizado pela pressão sobre os rendimentos dos pequenos e médios viticultores, estes estragos assumem gravidade particular e exigem respostas céleres e eficazes”, defendeu a associação que tem sede no Peso da Régua, distrito de Vila Real.
Neste “contexto de danos tão extensos e evidentes”, a Prodouro defendeu a “criação urgente de mecanismos de ajuda de Estado específicos para o setor vitivinícola duriense, em articulação com o quadro nacional e comunitário de apoio a calamidades naturais”.
E advertiu que “estas ajudas devem ter caráter estrutural, não meramente compensatório”.
A Prodouro reclamou apoios para a reconstrução de muros de suporte e taludes de terra, mas também ajudas para a reposição do potencial produtivo (replantação de vinha, sistemas de drenagem adequados e melhoria de acessos internos às explorações).
E defendeu como “prioridade absoluta” a prevenção de futuros episódios, através, de por exemplo, da correção e reposição de linhas de água e dispositivos de drenagem, instalação de valetas e gateiras nos projetos de renovação e uma maior exigência nos planos de obra.
Para a Prodouro, a base do problema está “nas deficientes ou inexistentes drenagens”.
A associação pediu ainda a reposição urgente de caminhos agrícolas e compensações de prejuízos no enoturismo, causados pela impossibilidade de acesso às quintas, devido a estradas condicionadas ou cortadas, eventos cancelados e quebra de atividade.
E alertou os viticultores para reportarem os prejuízos através do formulário online disponibilizado pelas CCDR, referindo que “sem estas declarações, não será possível dimensionar corretamente os apoios necessários”.
“Só transformando esta calamidade numa oportunidade para reforçar a resiliência do setor será possível preservar o património construído do Douro, muros, socalcos, caminhos e linhas de água e assegurar a continuidade da atividade agrícola que sustenta tantas famílias e comunidades ao longo da RDD”, frisou.
A Prodouro lembrou o inverno igualmente “trágico” de 2001 e apontou para um “quarto de século de inação”, sublinhando que o Douro continua a “sofrer por causa de um inverno rigoroso e daquilo que não foi feito em 25 anos”, dando como “exemplo mais flagrante” o “estado lastimoso e perigoso da Estrada Nacional 222”.
O troço Régua – Pinhão da EN222 é, para a associação, um “verdadeiro calcanhar de Aquiles das comunicações rodoviárias que afeta residentes, indústria vitivinícola e enoturismo”.
Em dezembro de 2026, assinalam-se também os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.
Agora, alertou que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), a Unidade Missão Douro, e a Comunidade Intermunicipal do Douro “têm ainda muito trabalho preventivo a realizar”, nomeadamente com uma “maior exigência na aprovação de projetos de renovação de vinhas relativamente ao escoamento de chuvas torrenciais” e uma “fiscalização efetiva da execução dos planos de obra”.