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As Termas de São Pedro do Sul têm a partir de hoje uma central geotérmica que servirá os dois balneários públicos e 13 unidades hoteleiras, em resultado de um investimento de 1,57 milhão de euros (ME).
São Pedro do Sul é um “concelho [com] superavit na produção de energia limpa”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Pedro Mouro.
“Somos fortíssimos na hídrica, na eólica e agora também na geotérmica. Nós estamos na vanguarda destes chavões de sustentabilidade que todos usam, mas poucos praticam”, vincou.
O autarca falava na sessão de inauguração da central geotérmica das Termas de São Pedro do Sul que, a partir de hoje, faz chegar energia a 13 unidades hoteleiras do seu perímetro urbano e ainda aos dois balneários públicos, o Rainha Dona Amélia e o Dom Afonso Henriques.
Pedro Mouro enumerou uma série de outros projetos “desenvolvidos ao longo dos tempos” neste município da zona de Lafões, no distrito de Viseu, como, por exemplo a ausência de fitofármacos na limpeza das ruas.
Para o autarca, a outra “grande vantagem” desta central geotérmica está no “ganho económico das unidades hoteleiras, tendo em conta o preço da energia atualmente e isso, com certeza, faz a diferença no mercado”.
O presidente da Associação das Termas de Portugal, Vítor Leal, falou no investimento total de 1,57 ME, financiado com “dinheiros públicos no total de 1,1 ME”, através de fundos como o Ambiental e disse ser um “projeto único, com esta vertente de servir 13 entidades privadas, unidades hoteleiras, e uma pública, como são os dois balneários”.
O secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, destacou que as águas termias de São Pedro do Sul, além de todas as características na vertente da saúde e bem-estar “apresenta agora também esta vertente de produção de energia mais limpa e sustentável”.
“O recurso que aqui existe – a água emerge naturalmente a quase 70 graus – é verdadeiramente singular e único no nosso país. É conhecido pelo potencial termal, mas é também um potencial energético que, em muita boa hora, decidiram aproveitar melhor”, aplaudiu o governante.
Jean Barroca realçou que “a geotermia tem características únicas, não depende do sol alinhado nem do vento a soprar, está sempre lá, disponível para consumo e, enquanto isso, produz calor de forma estável e, em determinados contextos, também produz eletricidade” como acontece nos Açores, o que “não é possível no continente”.
O governante defendeu ainda que esta nova central “tem um impacto nas comunidades, no investimento privado e numa empresa municipal”, ou seja, “tem impacto na economia territorial e nem todos os projetos têm de ser gigantescos, como este”.
“O que hoje inauguramos é uma infraestrutura, mas, acima de tudo, é uma mensagem: Os recursos locais que temos à nossa disposição contam. A energia limpa faz-se com inteligente territorial. O termalismo português pode estar na linha da frente daquilo que é o caminho do desenvolvimento económico e da sustentabilidade”, sublinhou Jean Barroca.
A central geotérmica tem cinco mil quilómetros de tubos em rede para chegar a todas as unidades, disse Vítor Leal na visita à infraestrutura, onde o técnico indicou como funcionava, dizendo que “é possível produzir instantaneamente 1.2 a 1.5 megawatts por hora de energia térmica”.
“A energia máxima que pode ser disponibilizada para cada um dos consumidores privados é de 250 a 300 quilowatts por hora, sendo que os dois grandes consumidores desta energia são os dois balneários” das termas, acrescentou.