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A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões quer afirmar-se como referência nacional na gestão inteligente dos territórios, através da utilização de dados e inteligência artificial na definição de políticas públicas, uma estratégia apresentada na primeira edição do SMART REGION SUMMIT, que reuniu mais de uma centena de participantes.
O encontro, que decorreu na quinta-feira, no Montebelo Viseu Congress Hotel, juntou representantes do Governo, especialistas nacionais e internacionais, universidades, empresas e responsáveis da administração pública para debater o papel das novas tecnologias na gestão das cidades e regiões.
A transformação digital deve colocar as pessoas no centro das decisões e permitir transformar informação em conhecimento útil, capaz de antecipar necessidades, otimizar recursos e melhorar os serviços públicos, foi uma das ideias centrais do encontro, que teve as inscrições esgotadas.
Na sessão de abertura, o presidente da CIM Viseu Dão Lafões, João Azevedo, destacou a nova Plataforma de Gestão Urbana da comunidade intermunicipal, que pretende afirmar-se como uma referência nacional e será também apresentada em Barcelona.
“Os territórios constroem-se com conhecimento, com cooperação e com a capacidade de tomar melhores decisões para melhorar a vida das pessoas”, afirmou o responsável.
Também o secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, defendeu uma agenda de competitividade construída em conjunto pelos setores público e privado, considerando que a prosperidade dos territórios depende da capacidade de partilhar inovação e tecnologia.
O presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, Manuel Dias, apresentou a Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes, sublinhando a importância da tomada de decisões com base em dados e da interoperabilidade entre sistemas.
Segundo o responsável, 297 dos 308 municípios portugueses estão já abrangidos por plataformas de gestão urbana, num processo acompanhado pela capacitação de mais de dois mil profissionais.
Durante o encontro, o secretário executivo da CIM Viseu Dão Lafões, Nuno Martinho, apresentou o percurso de inovação desenvolvido na região, que inclui projetos de monitorização de incêndios, diagnóstico da rede rodoviária, análise de padrões de mobilidade e telemonitorização de idosos e doentes crónicos.
Estas iniciativas estiveram na origem da Plataforma Intermunicipal de Conhecimento e da nova Plataforma de Gestão Urbana, que integra informação de áreas como ambiente, água, resíduos, mobilidade, proteção civil, turismo e energia.
Um dos momentos do encontro foi a assinatura de um protocolo de cooperação entre a CIM Viseu Dão Lafões e a MOBI.E para desenvolver um sistema nacional de bilhética inteligente, que permita simplificar o acesso aos transportes públicos através, nomeadamente, da utilização de cartões bancários ‘contactless’.
O acordo pretende promover soluções tecnológicas integradas e interoperáveis, reduzir a fragmentação dos sistemas de bilhética e facilitar a utilização dos transportes públicos, tanto na região como a nível nacional.
O vice-presidente da CIM, Marco Almeida, considerou que a parceria representa mais um passo na modernização dos serviços e na melhoria da mobilidade na região.
Por sua vez, o presidente da MOBI.E, António Ferrão, defendeu que o acesso aos transportes públicos deve ser tão simples em Viseu Dão Lafões como em Lisboa, apontando o cartão bancário como uma possível solução de âmbito nacional.
A mobilidade inteligente esteve também em destaque no painel de encerramento, que reuniu representantes da MOBI.E, Transdev, VTM Global, Câmara de Viseu e CIM Viseu Dão Lafões.
Nuno Martinho destacou as melhorias introduzidas na rede de transportes públicos desde que as comunidades intermunicipais assumiram competências enquanto autoridades de transportes, nomeadamente ao nível da qualidade do serviço, frequência, previsibilidade e preços.
O responsável salientou ainda o projeto de transporte flexível “Ir e Vir”, que já transportou mais de 60 mil pessoas e assegura ligações em zonas onde a rede regular tem maior dificuldade em chegar.
A primeira edição do SMART REGION SUMMIT terminou com uma intervenção do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que destacou o trabalho desenvolvido pela comunidade intermunicipal nos desafios da coesão territorial.
No balanço do encontro, Nuno Martinho considerou que a adesão e a qualidade dos participantes superaram as expectativas, defendendo que o principal desafio passa por transformar o potencial dos dados e da inteligência artificial em soluções concretas para melhorar a vida das populações.