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Fundada há quase 30 anos atrás, a Casa de Castro Daire surgiu como resultado dos fluxos migratórios das aldeias para a capital. Na procura de melhores condições de vida, a freguesia de Marvila, em Lisboa, acolheu um grande número de pessoas da região beirã.
Luís Esteves, presidente da Casa de Castro Daire, refere que a missão da casa “diz essencialmente respeito à promoção e divulgação do todo o município de Castro Daire”. Para além disso, nos dias de hoje, acaba por ser também uma adaptação e criação de “necessidades e resposta àquele que é o impacto social, ou seja, Lisboa”.
A freguesia de Marvila é “constituída por mais de 40% da população natural de Castro Daire” e a associação conta com mais de mil associados. A Junta de Freguesia de Marvila, a Câmara Municipal de Castro Daire e a Fundação INATEL são as parcerias de destaque da casa, contando também com “apoios pontuais” cujo objetivo é “responder a projetos e atividades pontuais”.
Com uma programação bastante eclética, a Casa de Castro Daire organiza diversas atividades abrangendo práticas como jogos tradicionais, desporto e folclore. O evento mais conhecido da associação é o “Castro Daire abraça Lisboa” que decorre durante um fim-de-semana entre maio e junho. “Nós trazemos vários grupos de expressão tradicional popular castrense até à capital e temos dois espaços distintos de apresentação, um deles é o coração de Lisboa, onde fazemos um cortejo alegórico que atualmente passa pela Ribeira das Naus e na Praça do Comércio e depois na Mata de Vale Fundão”, assinala.
A associação é constituída ainda por um grupo de desporto, um grupo de concertinas e um rancho folclórico. Em parceria com a fundação INATEL, formaram uma academia de concertinas, que é “considerada a maior academia da zona centro-sul do país, onde lecionam uma média de 50 alunos”.
De maneira a adaptar-se à fase pandémica, sendo uma atividade que já decorria presencialmente, a casa organizou várias “Conversas Temáticas”, através do Facebook, tendo como objetivo debater “assuntos que entendemos que são pertinentes, importantes e necessários, trazendo pessoas do terreno”. A iniciativa acabou por fortalecer a união entre as pessoas envolvidas, os castrenses.
Luís Esteves, o presidente da casa, está a elaborar uma tese de doutoramento sobre casas regionais em Lisboa, onde a região de Viseu tem alguma incidência. Já com o trabalho quase finalizado, conclui que existem dezenas de casas de concelhos das beiras em Lisboa. “Umas com mais, outras com menos atividade, mas as beiras é sem dúvida a região com mais presença, com mais embaixadas associativas na capital”, destaca.
Percebeu também que os fluxos migratórios foram um grande contributo para história, “não só portuguesa como a história local da cidade de Lisboa, uma vez que Lisboa não é de lisboetas, Lisboa é construída essencialmente por não lisboetas”. No entanto, considera que existiu sempre um “forte preconceito” em relação às pessoas que vieram do interior para a cidade.
“Durante muito tempo estas gentes, porque eram gentes com um nível de escolaridade menor, com outro tipo de vivências, com outro tipo de rituais e com outro tipo de cultura porque não eram tão metropolitanas, viram-se obrigadas a se unir mais”, conclui.