Cerca de 14 mil pessoas procuraram as urgências do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) em janeiro do ano passado, ultrapassando os nove mil doentes de janeiro de 2021 – o início da terceira vaga da pandemia. Falamos de uma realidade anterior à Covid-19 que afastou cerca de cinco mil pessoas das urgências hospitalares. Há um ano, os viseenses começaram a desaparecer das urgências do Hospital São Teotónio. O motivo? Provavelmente, o receio de contágio em salas de espera, acompanhado pela sobrecarga dos serviços de saúde pelas mãos da pandemia.
Os dados são do portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que regista o número diário de episódios de urgência de todos os hospitais portugueses. O número de episódios de urgência com internamento também diminuiu em comparação a janeiro de 2020, de 1.055 para 970, uma diferença de cerca de 80 doentes.
Recuemos até janeiro de 2020. Das 14.062 admissões nos serviços, 3.445 utentes permaneceram mais de seis horas sob vigilância, 1.055 necessitaram de internamento e 224 obtiveram alta por abandono. Já no início da terceira vaga – janeiro de 2021 – dos 9.046 episódios de urgência, 2.088 doentes ficaram mais de seis horas nos serviços, 970 necessitaram de internamento e 156 tiveram alta por abandono.
Ao analisar em detalhe, percebemos que os números anteriores à pandemia são mais elevados. Um fenómeno que é facilmente justificado pelo facto de existir uma maior afluência às urgências hospitalares em janeiro de 2020. Ao entrarmos em contexto de pandemia, apenas as situações comunicadas numa primeira fase ao SNS 24 ou com uma maior urgência chegavam até às instalações do hospital.
Aliás, a Direção-Geral de Saúde (DGS) chegou a lançar uma recomendação para quem apresentasse sintomas de Covid-19 não se dirigir às urgências, de forma a estancar novas cadeias de contágio e evitar a saturação dos serviços.
Também o tempo de espera, entre a triagem e a primeira observação médica, diminuiu. No primeiro mês do ano de 2021, os doentes esperaram cerca de 50 minutos, quando em janeiro de 2020, ultrapassava uma hora e 15 minutos. Valores que significam que existia uma maior afluência às urgências do Hospital de Viseu antes da pandemia, ou seja, o tempo de espera alarga-se consoante o número de admissões diárias.
E chegámos ao segundo mês de 2021: fevereiro. O número de episódios de urgência não ultrapassou os sete mil. Das 6.941 admissões, 701 doentes ficaram internados e 38 obtiveram alta por abandono. Em relação a janeiro deste ano, observamos uma descida significativa no número de urgências que se justifica pela implementação do segundo confinamento geral e pelo ‘acalmar’ dos principais indicadores da pandemia.
Em relação ao tempo de espera, entre a triagem e a primeira observação médica, os doentes esperaram cerca de 37 minutos, quando em janeiro de 2021, ultrapassava os 50 minutos.
Já em março, o valor de episódios de urgência voltou a ultrapassar os nove mil: 9.133, com 770 internamentos e sete altas por abandono. Entre a triagem e a primeira observação médica, os utentes esperaram cerca de 48 minutos, um valor semelhante ao de janeiro.
Ao observar, percebemos que os primeiros três meses do ano assemelham-se a um simples batimento cardíaco. No pico da afluência às urgências do CHTV está janeiro – mês que marca o início da terceira vaga – seguindo-se uma queda do número de episódios de urgência correspondente ao mês de fevereiro, assistindo-se a uma nova subida em março.
Em termos simples, a soma dos primeiros dois meses de 2021 (15.987) aproxima-se, ainda que distanciado, do número de episódios de urgência relativos a janeiro de 2020 (14.962).
Em relação ao mês de abril, o número de doentes que recorreram às urgências do Hospital São Teotónio já se aproximam de dois mil (1.872), incluindo 146 internamentos e 21 altas por abandono. A média de tempo, entre a triagem e a primeira observação médica, pouco diferiu dos meses anteriores: 46 minutos.