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A Câmara de Viseu aliou-se à empresa To Be Green para a reciclagem de máscaras usadas contra a Covid-19, evitando que entrem no lixo normal e permitindo que a autarquia poupe dinheiro.
O projeto foi apresentado esta quarta-feira (28 de abril) na Escola Secundária Alves Martins, que recebeu novos contentores para recolha de máscaras individuais em fim de vida. O investimento municipal será de 35 mil euros por ano. Nesta iniciativa, vão ser colocados caixotes nas escolas de Viseu para ali serem depositadas as máscaras usadas.
O CEO da To Be Green, Dinis Marques, diz que a principal vantagem do projeto passa por “educar para a sustentabilidade e fazer perceber junto das novas gerações de que é possível criar valor a partir de um resíduo e converter isso em produtos que podem aparecer no nosso dia-a-dia”.
O gestor confessa que, numa primeira fase, o foco da empresa era o do não-desperdício de roupas, mas admite que a pandemia fez soar os alertas para a necessidade de perceber o que fazer com as máscaras usadas.
Em todo o país, estima-se que sejam descartadas cerca de 150 milhões de proteções individuais. A presidente da Câmara de Viseu, Conceição Azevedo, defende que o investimento de 35 mil euros por ano que a autarquia fará na colaboração com o projeto To Be Green vai ser recompensado pelos ganhos ambientais.
“Acho que justifica bem o objetivo deste projeto porque, no fundo, recicla-se e volta a entrar na cadeia o produto. A circularidade está aqui presente e é um projeto estruturante que contribui significativamente para manter o título de melhor cidade para viver, onde a questão do ambiente é muito valorizada”, frisa a autarca.
Conceição Azevedo acrescenta que os resíduos indiferenciados representam um custo elevado para os cofres da autarquia de Viseu e defende que a valorização é necessária para que o município tenha menos despesas com o lixo.
“Se nós conseguirmos reduzir a quantidade dos resíduos indiferenciados e se os reciclarmos, tudo que é reciclado é valorizado. Portanto, não temos este custo. Por isso, acho que esta mensagem é importante de passar porque fazer bem é bom para todos”, destaca a presidente.
A iniciativa será alargada às restantes escolas secundárias e a estabelecimentos do segundo e terceiro ciclos de Viseu. No entanto, nesta fase, os pontos de recolha não vão estar em todas as escolas, sendo que a Câmara conta com a colaboração das juntas de freguesia.
“Não estamos neste momento a pôr caixotes em escolas que tenham por exemplo só 30 alunos porque achamos que a dimensão é pequena. Mas essa escola poderá, na sua freguesia, colocar as máscaras no sítio próprio. Em todas as freguesias, vai haver postos de recolha”, revelou Cristina Brasete, vereadora da Educação e Ação Social da Câmara.
As máscaras serão depois convertidas em matéria-prima para outros produtos à base de fibras têxteis no Centro de Valorização de Resíduos da Universidade do Minho.
To Be Green também quer reciclar roupa
Entretanto, a Associação de Municípios do Planalto Beirão recebe anualmente cerca de duas mil toneladas de roupa que são colocadas no chamado lixo comum, o que, para Dinis Marques, representa “um valor significativo” aos munícipes e que pode ser reduzido “pelo facto de tirarmos desse fluxo de resíduos”.
Por isso, a To Be Green quer acabar também com o desperdício deste bem, criando uma rede de doação ou até mesmo incentivando à reciclagem de roupas que já não são utilizadas.
“Quando criámos este projeto, foi criado a pensar mais na questão do têxtil, mas eis que aparece a parte social porque colocámos primeiro a questão do vestuário. A roupa que temos em casa e não usamos pode ter valor para a doação, através da entrega a quem mais necessita, mas também pode ter valor comercial e, em última instância, do ponto de vista da reciclagem”, disse o CEO da empresa.
Para a roupa em fim de vida, a Câmara de Viseu vai disponibilizar uma loja social para a entrega e partilha de peças de vestuário, em colaboração com as IPSS do concelho e outras entidades que apoiam os mais desfavorecidos.
A To Be Green também vai estar disponível via app e noutra plataforma, a pensar nas gerações mais novas e apostando na economia circular, assumindo-se assim como um e-marketplace desta área.