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Em silêncio sobre uma decisão, seja de que ordem for, até ao final de maio. Assim promete estar Jorge Sobrado, ainda vereador na Câmara de Viseu. Na conferência de imprensa, onde anunciou que ia anunciar a decisão mais tarde, referiu que “até ao lavar dos cestos é vindima”.
Todo este impasse teve início com uma carta subscrita por diversas personalidades, sobretudo associadas ao setor artístico, em que se apelava à presença de Sobrado no debate sobre o futuro de Viseu.
Diziam que os passos que consideram ter sido dados durante o mandato de Almeida Henriques, recentemente falecido vítima da Covid-19, tinham de ser mantidos e nunca abandonados a bem de Viseu e da cultura do concelho.
Isto é o que está na carta. Mas, a partir daqui muito se questionou. Sobretudo sobre o propósito real deste manifesto. Houve quem visse naquela carta um possível apelo daquele grupo de pessoas a uma eventual candidatura de Sobrado à presidência do município.
Mas mesmo que avance, seja para a presidência, seja para abraçar outro projeto político que não o do PSD, o ainda vereador sabe já de antemão que não contará na campanha com o apoio do ator Guilherme Gomes, redator-proponente de um manifesto que se diz apartidário e transversal. “Se esta carta se desenvolver para uma campanha política eu, provavelmente não participarei nela, simplesmente porque não me interessa”, refere, reforçando que este movimento não é um início de uma campanha política. O ator diz que não se vê como político, assumindo ficar “nervoso” e ter “dificuldade em falar sobre estes assuntos”.
Guilherme Gomes não descarta a hipótese de Jorge Sobrado se candidatar à Câmara de Viseu e até defende que reúne condições para desempenhar o cargo. “Pessoalmente teria muito interesse em ler e analisar um programa feito pelo Jorge Sobrado e levá-lo-ia muito a sério. Acredito piamente na capacidade que o Jorge tem de fazer uma equipa”, argumenta.
Ainda assim, reforça, a carta não indica candidatura alguma. “Nada na carta diz que isto é o início de uma candidatura ou uma tendência partidária. Pelo menos escrevi a carta com a intenção de que não houvesse e na tentativa de ser uma carta integradora, para ser uma praça de encontro”, refere.
Diz o ator que esta é uma carta que pode ser vista e lida como um “é um voto de confiança política no Jorge”, assinalando também que “as pessoas [que assinam a carta] encontram no Jorge um representante político”. Questionado sobre se ficava surpreendido se desta carta resultasse uma candidatura à Câmara de Viseu, Guilherme Gomes é perentório. “Não. O Jorge tem esse passado. É um agente político. Mas não estou a preparar numa espécie de plano ou a fazer caminho para o Jorge Sobrado assumir um compromisso desse género”, concretiza.
Uma das reações à carta foi aquela que foi escrita por Joaquim Alexandre Rodrigues num artigo no Jornal do Centro. Num artigo intitulado “Autárquicas 2021 — três casos peculiares no distrito de Viseu”, o cronista, quando se refere à carta, fala numa “missiva primaveril subscrita por mais vinte representantes do lóbi dos eventos”. Guilherme Gomes diz não se sentir “lobista” da cultura. “Não me revejo nisso. A ideia de haver um concurso dos apoios à cultura é algo que a mim me dá garantias que uma pessoa que nunca teve um projeto apoiado possa construir uma candidatura forte o suficiente para ser apoiada. Ouvir este género de críticas entristece-me porque, ao apresentar um projeto e ele ser apoiado, pensava que estava a fazer alguma coisa que fazia sentido para a cidade”, argumenta.
A carta está publicada e dará agora origem a fóruns de discussão, sobre diversos temas. Uma coisa é certa: Viseu já discute se do manifesto virá uma candidatura à Câmara. Jorge Sobrado terá a última palavra.