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Por uma vida livre de receios, Márcio Peçanha, natural do Brasil, inicia um novo capítulo em Viseu.
Apesar de admitir que “vivia muito bem”, associando memórias agradáveis à cidade de Niterói (Brasil), a desigualdade económica, a corrupção e a violência presentes no seu país,foram um fator decisivo para a sua partida. “O povo, por sua vez, ajuda para que isso aconteça, pois escolhem os seus líderes não pelo que são, mas pelo que podem proporcionar individualmente, esquecendo o próximo”, opina.
Por terem familiares a residir na região e à ligação que já sentiam com o país, ao ponderarem retirar-se daquele ambiente, Portugal foi a sua preferência, nomeadamente Viseu.
A Março de 2018 inicia uma nova vida em Viseu, onde a tranquilidade que a cidade proporciona apazigua o seu espírito, algo que, anteriormente, não seria possível. Embora estivesse a 300 metros da escola da sua filha, Márcio sentia a necessidade de a transportar devido aos receios constantes. “A insegurança e o medo eram muito grandes”, afirma.
Márcio, atualmente dono de uma frutaria, encontra apenas um ponto negativo: acredita que a região não oferece muitas oportunidades de emprego, principalmente aos jovens que terminam o seu percurso escolar, porém não descarta a possibilidade da questão ser combatida com a crescente evolução que Viseu tem sentido nestes últimos anos.
Afirma, ainda, com convicção, para as pessoas que o questionam, que, em termos monetários, em Portugal é possível ter uma vida digna, sem precisar de muito, no entanto, devido à economia, é difícil ser-se abonado.
Sendo Portugal e Brasil irmãos da mesma língua, Márcio admite que não sentiu grandes diferenças culturais, adaptando-se facilmente à região. Ainda assim, em tom de brincadeira, afirma que “o povo português valoriza muito mais a sua cultura, enquanto que no Brasil tudo termina em carnaval”.
“Não é fácil deixar o seu país, a sua vida, a sua história, os seus amigos e família para trás… virar as costas e simplesmente partir. Mas o meu propósito foi a minha filha. Acredito que o futuro para ela será muito melhor. Acredito que, ao formar-se, terá mais possibilidades de emprego do que no Brasil.
Valeu a pena? Valeu. Saudades do Brasil? Muitas. Tenho muitas saudades do Brasil, principalmente da minha família e amigos, mas Viseu é uma cidade que nos abraçou. Não me arrependo de nada que tenha feito até hoje. Acho que ter vindo para Viseu foi uma ótima opção”, conclui desabafando.