Tiago Pereira deixou Portugal quando tinha apenas dois anos. Natural de Castro Daire, emigrou com os pais em 1993 porque estes queriam ter uma “vida melhor”.
“Hoje se têm o tudo o que têm foi por mérito próprio e com muito trabalho”, salienta o jovem de 29 anos.
No Luxemburgo, o emigrante fez todo o ensino obrigatório. Atualmente, trabalha como agente de seguros é também treinador feminino no FC Mamer 32 Dames. Há oito anos que abraçou a carreira de técnico de futebol.
“Neste momento no plantel temos 20 jogadoras, com as da formação temos 25. A equipa tem várias nacionalidades, mas como é normal no Luxemburgo em cada canto há um português, portanto tenho jogadoras portuguesas também”, explica.
Segundo o treinador, “a diferença infelizmente é muita” no futebol praticado nos dois países, ainda que o contraste “já foi muito maior do que neste momento”.
“Isso prova que no Luxemburgo se está cada vez mais a apostar no futebol e na formação e que ano após ano há melhorias em todos os sectores”, defende.
Tiago nunca se sentiu discriminado por ter nascido noutro país e vinca que “muita coisa” no Luxemburgo “se deve aos portugueses, por isso” quem “descrimina ou tenta descriminar os portugueses” só o faz “por pura maldade” e não por outras razões.
A qualidade de vida, mas também as oportunidades que o país oferece são os dois aspetos que este emigrante mais realça no Luxemburgo.
“O que menos gosto é óbvio: o tempo e não haver praia”, refere.
É da praia, das condições meteorológicas, das paisagens e da comida portuguesas que Tiago mais tem saudades. Quando era miúdo, vinha com os pais pelo menos uma vez por ano a Portugal. Agora tenta viajar pelo menos umas três vezes.
Apesar de tudo, não está nos planos pessoais e profissionais do treinador voltar ao nosso país. “Mas nunca se pode dizer nunca”, realça.
Já quanto aos novos dias, devido à pandemia causada pela Covid-19, Tiago Pereira fala em momentos “complicados”, mas que não o fizeram querer voltar a Portugal, uma vez que o coronavírus está presente em todo o mundo.
Considera que toda a população tem que se “habituar” e “lidar” melhor com a pandemia, que pouco mudou na sua vida, ainda que agora seja obrigado a usar máscara.