No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Foi há mais de 80 anos que Frida Kahlo pintou um autorretrato dedicado ao Dr. Eloesser, seu médico e melhor amigo. É uma pintura a óleo profundamente detalhada. Observamos um manto esverdeado a repousar nos ombros da artista, seguindo-se um colar de espinhos que teimam em fazer pequenos rasgos naquela pele tão suave. Quase lhe sentimos o ardor. Nos lábios, apenas vermelho a dar-nos a sensação de empoderamento. E aquelas sobrancelhas. Mas que traço selvagem e ao mesmo tempo tão harmonioso. Na cabeça, uma coroa de flores. Rapidamente esvoaçou até aos cabelos grisalhos de uma utente da Associação Cultural, Recreativa e Social de Pascoal, em Viseu. E tão bonita esta representação. “Tal como esses quadros são intemporais, também é a sua representação e, portanto, a arte não tem idade”, lançou Inês Pina, diretora técnica da instituição.
Sentiram-se desafiados pela formadora Carla Filipe da Sinerconsult. Apesar da ideia não ter começado “tão estruturada”, ganhou forma à medida que o tempo foi passando. O objetivo era simples: recriar obras de arte de renome à moda da ACRS de Pascoal. “era trazer-lhes um bocadinho de arte para a vida e perceberem que eles também são artistas e todos nós temos potencial de artistas. Criar o sentimento de utilidade, de pertença e de enraizamento e não de desligação que, no último ano, foi muito frequente” com a pandemia.
E o resultado final? Van Gogh, Frida Kahlo, Mona Lisa, entre outros, nos rostos de 25 idosos apetrechados dos mais variados adereços que nos levam até aos quadros originais. “Estamos super orgulhosos do desafio final porque envolveu toda a equipa. Os colaboradores foram trazendo elementos para caracterizar, os utentes começaram a abraçar o desafio de se caracterizarem dessa forma, foi um desafio que foi perdurando no tempo e que manteve toda a gente bastante motivada”, acrescentou a diretora.
Desafio atrás de desafio é o que se quer na associação de Pascoal e “esta idade não é exceção”“Usamos obras de grande referência, que estão estruturais e que os melhores elementos seriam os pilares da sociedade atual que temos a representar essas mesmas obras”, assinalou.
Conhecemos Virgílio Patrocínio, de 85 anos. Recebeu-nos com um riso muito característico., acompanhado pela sua bengala. Também nos disse que tinha uma fotografia em casa em que parecia ter 18 anos. E nós acreditámos. Retratou também uma obra que tinha que estar sentado “fizeram-me assim, era para cima”. Nesse dia, “estávamos contentes todos, estávamos ali fora” a tirar as fotografias.
Depois, encontrámos Emília Antunes. Na realidade, saiu da aula de ginástica para nos vir falar da atividade dos artistas. “Gostei muito e tenho lá a Nossa Senhora que gosto muito dela”, disse-nos, a unir as mãos. “Quando fomos lá fora, pusemos aquilo tudo em cima do meu pescoço, da minha cabeça”, continuou, “até tenho um neto que vê tudo”, encolheu os ombros, a deixar escapar um brilho nos olhos.
Conversámos também com Maria Amélia. Disse-nos que andaram a trabalhar, “a fazer isto, fazer aquilo” com “chapéus na cabeça, outras vezes com as fardas” e lá se fez. ““Gosto de tudo o que a gente. Tudo o que aparece, eu faço”, assinalou. Não poderia ser de outra forma.