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Quase a terminar e já com alguma pressa, assistimos ao “transplante” feito por Aloísio Pádúa. E é mais ou menos assim: basta retirar a flor do vaso de viveiro, colocá-la num outro mais bonito (e espaçoso), acrescentar substrato vegetal, aconchegá-la mais um pouco e está (quase) feito. Falta regar e cuidar dela para continuar a desabrochar. E mais: aprender a cuidar do ambiente compensa e dá direito a uma flor num vaso personalizado. E, desta vez, não foram só as crianças a participar. “Pais, avós, tios e tutores” também ajudaram. O objetivo era simples: levar um pouco da Cidade-Jardim ao Bairro Social de Paradinha. E não é que as janelas dos prédios se tornaram no jardim do bairro?
Quando chegámos para assistir a uma das sessões do Parad’Arte – um projeto de criação artística para promover e valorizar a educação não formal na comunidade infantil maioritariamente de etnia cigana – Juliana Ferreira e Carlos Sousa já andavam ‘entre cá e lá’ com vasos pintados pelas mãos das crianças e dos adultos que ali iam chegando. Em cada um, amores perfeitos acabados de plantar com a ajuda de Gabriel Silva, da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA). A CRIAVERDE também deu uma “mão” com a doação de parte das flores.
Na verdade, só se viam crianças, algumas a estremecer com o peso dos vasos, a sair do Centro Comunitário da Cáritas e atravessar os passeios com um único destino: as janelas das suas casas. “Esta sessão específica do Parad’Arte surgiu um bocadinho da ideia do Viseu Cidade-Jardim que era o tema anual a ser trabalhado na cidade. Cada um decorou o seu vaso nas últimas semanas e agora fizeram esta replantação, levaram os vasos para casa e podem partilhar com a família”, explicou Juliana Ferreira, do projeto Parad’Arte.
“No início, tivemos aqui uma pequena introdução às questões ambientais com o Gabriel da ASPEA, como é que devemos tratar a planta, ajudou-nos também a perceber os nomes técnicos e botânicos das plantas, como transplantar as plantas, porque tínhamos as plantas em vaso de viveiro e cada um transplantou para o seu vaso decorado, e qual o tratamento a dar a longo prazo à planta”, acrescentou.
E Gabriel Silva completou-lhe as palavras: “eu queria que fossem eles a fazer para terem aquele sentido de pertença com a planta, foram eles que fizeram, portanto, vão cuidar dela melhor quase de certeza absoluta”.
Falamos de amores perfeitos, uma planta anual que, segundo Gabriel, “têm resistência ao frio e mantêm a flor. Se vier do viveiro, convém sempre mudar para um vaso maior porque ela vem condicionada”, sugeriu.
Mas, há uma outra novidade no Parad’Arte. Além das 15 a 20 crianças que costumam participar regularmente, “introduzimos também os adultos porque foram pedindo para participar ao longo dos quatro anos que já estamos em Paradinha. Foi uma agradável surpresa porque, de facto, os adultos aderiram muito às atividades”, revelou Juliana.
Aliás, “aquilo que nos foi dito é que têm sido experiências que em criança não tiveram oportunidade de viver e julgo que valorizam ainda mais a participação dos filhos”, frisou.
Também António Ramalho, coordenador do Centro Comunitário da Cáritas Diocesana de Viseu, fez questão de nos deixar algumas palavras: “nós desenvolvemos aqui vários trabalhos na área da ação social, da educação, da ocupação dos jovens, e estes projetos são muito importantes porque reforçam a inclusão social através das expressões artísticas”, além de permitir que “experimentem outras realidades, conheçam novas dinâmicas e novos processos artísticos”.
Ali, não se plantaram apenas amores perfeitos. Plantaram-se também sorrisos e novas oportunidades. Resta esperar que essas desabrochem.
O projeto Parad’Arte, do Atelier Centropontoarte, é dinamizado por Juliana Ferreira e Carlos Sousa. A iniciativa é apoiada pelo município de Viseu através do Viseu Cultura, e tem como parceiros a Cáritas Diocesana de Viseu, o Museu Nacional Grão Vasco, a Associação de Professores de Educação e Comunicação Visual (APECV) e Takemedia.
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