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O Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) já se candidatou aos fundos comunitários para obter financiamento para o projeto do Centro de Ambulatório e Radioterapia, orçado em 24 milhões de euros.
O anúncio foi feito esta segunda-feira (20 de dezembro) na sessão da Assembleia Municipal pelo membro do PS, Lúcia Silva, que propôs na Aula Magna do Politécnico uma moção de congratulação ao Governo pelos investimentos feitos no projeto. O documento acabou por ser chumbado.
“A resposta tardou, mas o Governo do PS não faltou aos viseenses e ao meio milhão de pessoas da área de influência do CHTV”, disse a socialista na sua intervenção afirmando que o Centro Hospitalar já revindicava “em nome dos doentes oncológicos um centro de radioterapia”.
Lúcia Silva revelou ainda que a candidatura foi submetida à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro “a convite da atual direção com a previsão de obras para o Centro de Ambulatório e Radioterapia para o ano de 2023”. Falou mesmo de “uma excelente notícia para os doentes oncológicos e as suas famílias”.
Lúcia Silva disse ainda que 29 de dezembro de 2020 foi “o dia D para o centro de radioterapia” lembrando que a ministra da Coesão Territorial “assumiu o compromisso de dar resposta a Viseu” numa reunião que, recordou, juntou também a administração do CHTV, os deputados do PS eleitos por Viseu e a Câmara.
“Era necessário que os projetos de arquitetura e especialidade estivessem concluídos no primeiro semestre de 2021, reunindo assim as condições para uma candidatura aos quadros comunitários do Portugal 2020 e Portugal 2030”, disse.
Lúcia Silva lembrou que o centro de radioterapia representa “um investimento que vem dignificar e valorizar a instituição e os seus profissionais”. “O modelo de financiamento e os prazos de execução já estão definidos. O CHTV, com a resposta de radioterapia, evita que os doentes oncológicos se desloquem a Coimbra ou Vila Real com todos os constrangimentos que estas deslocações implicam”, afirmou.
Recordou também as obras de requalificação e ampliação que decorrem atualmente nas urgências do Hospital e que estarão concluídas já no primeiro trimestre do próximo ano.
A socialista defendeu que a empreitada irá “possibilitar o atendimento diário de mais especialidades, aumentar a capacidade de atendimento em picos de grande afluência e dar melhores condições aos doentes”.
“A ampliação e a requalificação reduzem as assimetrias sociais e territoriais no acesso à saúde e os tempos de espera e proporcionam melhores condições de trabalho aos profissionais e melhor acolhimento aos doentes”, afirmou falando mesmo em “promessas feitas, promessas cumpridas”.
PSD acusa PS de mentir
Em resposta a este discurso, Pedro Alves (PSD) acusou Lúcia Silva de faltar à verdade, defendendo que já o governo de Pedro Passos Coelho tinha tomado a decisão de fazer o conhecido ‘centro oncológico’ em Viseu.
“Não há muito a dizer sobre o que o PS nos trouxe aqui. Falam e anunciam aquilo que os outros fizeram, anunciando e falando sobre o centro oncológico como se tivesse começado todo o processo a 29 de dezembro. A intervenção é fundamentada numa mentira, senhora deputada”, afirmou.
O social-democrata falou numa “habilidade” da bancada socialista, dizendo que “tanto o presidente do conselho de administração do CHTV como a senhora ministra, quando foi confrontada por mim com a presença de um deputado do PS na visita que fez às obras do serviço de urgência, disseram que não tinham nada a ver com aquilo em reuniões oficiais, uma no Parlamento e outra no conselho de administração”.
“A verdade tem de ser dita. Em 2012, um estudo técnico confirmou a necessidade da criação de uma nova unidade de radioterapia na região Centro. E, em 2015, foi tomada a decisão política de a sediar em Viseu. Mais ninguém tomou decisões daí para cá, o resto é tudo conversa. Andaram seis anos para tentar fazer alguma coisa e a única coisa que foi feita é um aviso de abertura de concurso para que o projeto se possa candidatar ao Portugal 2020 sem qualquer garantia de financiamento. Não há garantia da comparticipação nacional no Orçamento do Estado. Todo o financiamento vai ser feito através do Portugal 2030 e não do 2020”, disse.
Pedro Alves foi mais longe e acusou também Lúcia Silva de ser uma “vezeira” e de ter mentido aos viseenses quando esta era candidata à Câmara nas autárquicas de 2017 quando “estava juntinha à placa do centro oncológico a dizer que estaria pronto em 2019”. Quanto às urgências, o deputado do PSD disse que a obra “já devia estar concluída” e garantiu que não daria os parabéns ao PS “por má gestão e pelo atraso” no avanço da obra.
Em resposta, Lúcia Silva acusou Pedro Alves de ter ficado “nervoso” porque, disse, “as verdades custam”. A socialista afirmou que o PSD “nunca foi capaz de dar esta resposta a uma necessidade que os viseenses precisam e queriam”.
“Em vez de dizer que as coisas estão a acontecer apesar do atraso, o senhor deputado até tentou dizer que eu era vezeira e que as pessoas me conhecem. Tenho muito orgulho que as pessoas me conheçam por boas razões. Mal seria se me conhecessem por más razões porque ando na rua e ocupo os meus lugares de cabeça levantada. Não tenho telhados de vidro”, retorquiu garantindo também que a reunião de 29 de dezembro no Centro Hospitalar “aconteceu” e que existe “vontade em satisfazer as pessoas”.
Lúcia Silva sugeriu ainda a Pedro Alves que peça à administração do CHTV a consulta da ata dessa mesma reunião. “As coisas acontecem porque são sempre formalizadas e oficializadas”, garantiu.
Ruas lamenta “tática Pingo Doce”
Já o presidente da Câmara, Fernando Ruas, lamentou a “tática Pingo Doce” do PS e, também em resposta a Lúcia Silva, lembrou que foi num dos seus mandatos como autarca que foi construído e inaugurado o atual Hospital de S. Teotónio nos anos 90.
“A deputada veio dizer que, se calhar, foi por inércia de quem governou o concelho que só começou o centro de radioterapia e que foram criadas as condições. Lembro que foi connosco que foi construído o novo Hospital. Não fico impressionado com esta tática do Pingo Doce: quem trouxe, quem trouxe… Esta é a vossa tática, mas que não me impressiona”, disse. Fernando Ruas pediu ainda “cuidado” à bancada do PS.
Entretanto, o presidente da Assembleia Municipal, Mota Faria, também pediu a palavra e disse ainda que a moção não correspondia à verdade dos factos.
“Tenho de reconhecer que, a concluírem-se, as obras do centro oncológico e da urgência melhoram as prestações dos cuidados de saúde e dignificam o trabalho dos profissionais, que é o que vem nas conclusões finais. Outra coisa é que toda a moção não corresponde, do meu ponto de vista, à verdade dos factos. Tenho muitas dúvidas em relação a todo este processo e penso que a História irá clarificar, no futuro, esse processo”, afirmou.
A moção do PS foi rejeitada com 31 votos contra, 15 a favor e duas abstenções.