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A população de Beijós, no concelho de Carregal do Sal, continua revoltada com as constantes descargas poluentes que aparecem no Poço da Relva e na Ribeira de Travassos.
A situação tem vindo a repetir-se há alguns anos. Os moradores e a Câmara de Carregal do Sal responsabilizam o município de Nelas pelo foco de poluição que, acreditam, tem vindo a agravar com a ETAR 3 (estação de tratamento de águas residuais) do concelho vizinho. E há quem diga que este é um caso de saúde pública.
Uma das moradoras de Beijós, Maria Melo, diz que a situação “está a piorar” a cada dia que passa. “Sabemos que as descargas vêm de Nelas, onde há várias empresas que fazem descargas que vêm diretamente para esta ribeira”, acrescenta.
A moradora considera que a ETAR inaugurada no ano passado em Nelas, com um investimento de cinco milhões de euros, “não está a tratar realmente as águas que vêm das empresas”. “Neste momento, a nossa ribeira é só espuma branca que se vê em qualquer lado. As autoridades competentes já sabem, mas pouco ou nada fizeram”, lamenta.
A ETAR em causa foi inaugurada em junho do ano passado e já provocou polémica na altura por provocar descargas na Ribeira de Travassos.
Na altura, a Junta de Freguesia de Beijós identificou o foco de poluição e comunicou a situação às autoridades, com queixas entregues à GNR, à Agência Portuguesa do Ambiente e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Também o popular José Teixeira aponta o dedo ao concelho de Nelas e lamenta que ninguém intervenha para pôr um fim às descargas poluentes. “Se a ribeira estivesse em condições normais, mal água tinha para beber os animais”, diz, lembrando que os habitantes de Beijós dependem da água da ribeira para a agricultura.
“Nelas não precisa disto porque tem muitos supermercados e muito rendimento per capita, mas nós só pedimos que, se houver algum organismo que se digne de ter esse nome neste país, que apareça. E, como sou um cidadão honesto e não devo nada a ninguém, só peço respeito”, acrescenta revoltado.
Já Mariana Abrantes compara o estado das ribeiras a “uma máquina de lavar a roupa tresloucada e cheia de espuma” e diz que a água não tem sido alvo de análises. A moradora garante que a população encara esta situação como ilegal.
“Dizem-nos que tudo isto é normal e está legal, mas consideramos que não é aceitável e não pode estar legal, a menos que seja uma legalidade suja. E vamos provar que isto não está como deve ser e vamos fazer tudo para que possamos salvar a nossa ribeira porque, sem ela, Beijós não vai existir como tem existido há três mil anos”, assegura.
Já o presidente da Câmara de Carregal do Sal, Paulo Catalino, mostra-se solidário com o povo de Beijós e confessa sentir-se envergonhado como autarca, lamentando a falta de resposta das autoridades oficiais.
“As descargas têm sido regulares, quase que diárias, e têm vindo a envergonhar o poder autárquico. Não é possível que as instituições não tenham capacidade de poder atuar de uma forma célere perante um problema que tem vindo claramente a prejudicar as populações”, diz acrescentando que Beijós tem sido “maltratado” por um problema que considera ser de saúde pública.
O responsável lamenta ainda a falta de respostas do Município de Nelas. “Temos tentado, a todo o custo, fazer contacto no sentido de nos sentarmos e podermos encontrar uma solução que possa resolver este problema que já tem mais de sete anos”, conclui Paulo Catalino.
O Jornal do Centro não conseguiu obter explicações do presidente da Câmara de Nelas, Joaquim Amaral, que foi eleito nas últimas autárquicas em setembro de 2021, sucedendo a Borges da Silva.