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Dr. Luís Ferreira: a rua do povo

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 Chuva, trovoada e muitas nuvens esta semana em Viseu
26.02.22
fotografia: Jornal do Centro
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 Chuva, trovoada e muitas nuvens esta semana em Viseu
26.02.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Dr. Luís Ferreira: a rua do povo

Há ruas que marcam pelas lembranças e que deixam saudades, tal como acontece com a Rua Dr. Luís Ferreira, em Viseu. Batizada, pelo povo, como a rua do Comércio, por ter sido, em tempos, conhecida pela quantidade de pessoas que por ali passava. Hoje, já nem tanto, mas ainda mantém o seu prestígio e encanto.

A Rua do Comércio, construída com o objetivo de fazer ligação direta entre a Praça D. Duarte e o Mercado 2 de Maio, locais cujas festividades outrora deslocavam as “gentes da terra” ao centro de Viseu, era uma rua composta por calçada romana, onde o trânsito circulava nos dois sentidos, existindo inclusive lugares de estacionamento.

Rasgada em 1878, diferenciou-se das ruas até então construídas, “refrescando a urbanização da cidade”. No entanto, inicialmente, a Rua do Comércio não tinha o comprimento que hoje tem – “esta rua é ‘recente’, é do princípio do século. Primeiro foi apenas aberta até ao mercado, depois foi construída a restante parte até à Praça D. Duarte, em 1910-20, mais ou menos”, esclarece Delfim Almeida, da ‘Drogaria Moderna’.

Memórias sem data de um “mar de gente”

De sentimento comum, os comerciantes relembram uma altura marcada pelas saudades, de braço dado com os seus familiares a caminho do mercado (Praça/Mercado 2 de Maio) que, em tempos, acolheu, junto à Rua do Comércio, inúmeros viseenses que vinham de todos os cantos da região.

“Antigamente havia aqui um mercado, às sextas-feiras as pessoas da aldeia traziam gamelas com batatas, cebolas. Vinham para aqui às sete menos dez… Nós tínhamos aqui uma portazinha e elas até pediam para as deixarmos entrar devido ao frio que se fazia, para depois conseguirem arranjar lugar no mercado…”, recorda Pedro Pina, da ‘Casa dos Linhos’ (Nelson Piloto). “Antigamente havia mais movimento, agora não… é uma rua vazia…”, acrescenta.

Sem esquecer a relação de interdependência entre a Praça D. Duarte e a Rua Dr. Luís Ferreira, José Oliveira, da casa de antiquários ‘ViAntiga’, pinta-nos um cenário de harmonia.

“A primeira feira semanal de Viseu era efetuada aqui na praça.. tinha calçada romana, juntamente com a Rua do Comércio, tinha árvores, passeios, pequenas argolas onde prendiam os cavalos… tinha tudo. A ligação entre as ruas era imensamente movimentada. Antigamente eram as zonas nevrálgicas da cidade…”, explica.

“Sinto falta de gente, da dinâmica. A memória que eu tenho agradável daqui é que isto era um ‘mar de gente’. Em outras épocas, na altura do natal, senhoras finas de Lisboa vinham fazer compras a Viseu e havia, inclusive, concursos de montras”, completa.

Cada estabelecimento inserido na rua do comércio, conta histórias e momentos memoráveis que marcam quem por lá passou.
Um momento inédito ocorreu aqui, quando foram transmitidas as primeiras emissões da RTP em Viseu. Eram poucas as pessoas a possuir uma televisão em casa e foi disponibilizada a possibilidade de assistir através da montra da ‘Casa Pascoal’.

“Aquilo era uma casa de rádios e televisões, foi a primeira casa em Viseu a ter televisão, amontoavam-se pessoas aqui para ver a televisão na montra’”, recorda Delfim Almeida.

Dorinda, da ‘Costureirinha da Sé’, revive, apenas em memória, os tempos em que começou a trabalhar, onde o movimento era farto.

“Eu vim trabalhar para aqui com 12 anos, portanto lembro-me como isto era tão movimentado, estas ruas eram todas cheias de pessoal. Havia ainda ali o mercado que vendia de tudo, as pessoas da aldeia vinham para cá vender”, conta. “As lojas estavam todas abertas, havia muito movimento. Não é nada do que é agora, está muito diferente, vazio”.

Já Manuela Almeida, do antiquário ‘Saeculorum’, faz referência à variedade de comércio que existia.

“Eu trabalho aqui há 27 anos e, pelo que me lembro, era uma rua muito movimentada, tanto porque tinha a praça, como pelos armazéns – que vendiam de tudo -, pela casa africana, que vendiam tecidos, fechos, botões entre outras coisas”, diz-nos.

“Sem esquecer, claro, as lojas de roupa e de calçado. Existia, ainda, uma mercearia ao cimo da rua, uma florista, casas de lãs. Entretanto, este comércio deixou de existir. Umas lojas fecharam, outras deslocaram-se para outros sítios”, desabafa.
De acordo com o cenário descrito, a Rua Dr. Luís Ferreira era, então, repleta de lojas, toda a gente se conhecia, relacionando-se como se fossem, de facto, família. No entanto, os tempos mudaram, muitos estabelecimentos fecharam ou acabaram por se deslocar para outros centros de maior concentração e este ambiente familiar e acolhedor foi-se perdendo, deixando apenas memórias a quem aqui partilhou vivências e se sentiu em casa.
“Houve uma altura em que os comerciantes se juntaram todos. No início dos anos 80, a câmara quis proibir aqui o estacionamento e, então, os comerciantes juntaram-se, uniram-se e tentaram pressioná-la”, explica Delfim Almeida.
“Conseguiu-se uma coisa muito engraçada, conquistou-se um consenso. Havia estacionamento a uma hora e já não havia a outra – objeto de uma festa grande entre os comerciantes, envolvendo, até mesmo, foguetes. É um momento que eu guardo, um momento em família. A ‘despesa’ foi para todos, não conseguimos tudo mas conseguimos qualquer coisa”, completa.
A figura por trás do nome

Vinculado à história de Viseu pelos seus feitos, por muitos considerados indiscutíveis, Luís Ferreira de Figueiredo, filho de José Ferreira de Figueiredo e de Maria do Nascimento Ferreira – naturais de Viseu -, foi um político português.

Dr. Maximiano Aragão, no título “Instituições Sociais”, recorda Luís Ferreira: “Por largos anos presidente da sua direção, médico distinto, bairrista inexcedível, a quem Viseu e o concelho muito devem”.

Para além de Governador Civil de Viseu, tendo em mãos dois mandatos (1904-1906 e 1908-1910), Dr. Luís Ferreira foi, então, formado em Medicina, bem como em Teologia em Coimbra, sendo que a sua vida política teve início em 1884 onde foi eleito Deputado às Cortes. Pertenceu ao Partido Regenerador que, na altura, ocupava o poder e, ainda, terá sido eleito para as Comissões Parlamentares de Saúde Pública e de Obras Públicas.

Em diversas outras ocasiões, assumiu o cargo de Presidente da Câmara Municipal da sua cidade natal, em Viseu, foi Irmão e Provedor da Santa Casa da Misericórdia, tendo, ainda, lecionado no Seminário Maior de Viseu.

Em 1918, chegou a ser eleito Deputado durante o período da Primeira República Portuguesa.

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