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Direita, uma rua que já foi igual ao centro de Madrid

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26.03.22
fotografia: Jornal do Centro
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Fotografia: Jornal do Centro
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 Direita, uma rua que já foi igual ao centro de Madrid
Durante a época medieval, por ser um dos principais focos de comércio da urbe, a rua foi intitulada como a Rua das Tendas, tendo sido, posteriormente, rebatizada para Rua Direita por assumir o papel de ligação entre duas das portas da cidade: a de São José, já extinta, e a Porta dos Cavaleiros. Apesar de ser um termo desconhecido por muitos, Maria Carvalho, do “Bazar Litos”, explica-nos a origem do nome. “Isto, primeiramente, era a Rua das Tendas. Era assim conhecida porque diversos comerciantes transportavam aquelas ‘bancazinhas’ de um lado para o outro com produtos à venda. Eram uma espécie de balcão ambulante e as pessoas chamavam-lhes de tendas”, conta. Henrique Domingos, da Ourivesaria Domingos, assume a distinção de uma rua cujo nome, apesar de ter sido alterado, não perdeu a sua caracterização. “Antes a Rua Direita era a Rua das Tendas que, pelo nome, já indicava o volume das mercadorias da rua. Acho que isso a caracterizava particularmente porque acabava por ser a tradição da rua, era quase como uma feira a céu aberto”. Quem te viu, quem te vê Em contexto popular, os lojistas relatam, através das suas memórias, o comércio que, antigamente, se fazia e, em tom de saudade, contaram histórias e relembraram momentos. César Ferreira, do ‘Brasília’, entre risos, recorda e retrata o movimento que existia a partir da memória que os tempos chuvosos lhe trazem. Quando chovia, as pessoas iniciavam uma espécie de ‘jogo’ em que teriam, constantemente, de levantar e baixar os guarda-chuvas consoante a altura em que as pessoas, em sentido contrário, levavam os delas. Aqui, a probabilidade de ‘chocarem’ uns com os outros aumentava, bem como a hipótese de tomarem um banho involuntário. Maria Marques, da ‘Rosilãs’, recorda a mesma época em que vivia na Rua Direita, onde tudo era comércio e o barulho imenso. “Eu vivi, há cerca de 30 anos, aqui na Rua Direita. Toda a rua estava repleta de comércio, havia tanta gente que tinha que andar aos ‘ziguezagues’ para passar. De noite então, era tanto barulho das pessoas a passar, que a gente quase não conseguia dormir”, relembra.
 Direita, uma rua que já foi igual ao centro de Madrid
Maria Carvalho, da loja de brinquedos ‘Bazar Litos’, enquanto ri, completa: “As pessoas usavam aquele calçado de madeira com brochas, que faziam barulho, daí o ruído que se ouvia durante a noite quando elas passavam”. “Nessa altura, também não havia os ciclos (ensino) dentro da cidade, era só o liceu (Escola Secundária Alves Martins) e a escola ao pé do jardim de Santo António (Escola Secundária Emídio Navarro) que, anteriormente, era a escola comercial e industrial de Viseu. Nas aldeias, existiam apenas escolas até à quarta classe, portanto as pessoas depois vinham para cá continuar os estudos”, sublinha. “Os autocarros paravam ao pé do jardim e quem estivesse na escola comercial e industrial, que tinha os cursos para o comércio, os contabilistas, o de serralheiro, o de mecânico.., ficavam por ali e os que não ficavam, vinham pela rua direita acima e iam até ao liceu”, completa. Henrique Domingos caminha pelas ruas da cidade desde criança. “Eu nasci aqui, perto da Sé, brincava aqui junto ao estabelecimento dos meus pais e andava por esta rua de triciclo e bicicleta ‘por cima’ das pessoas sem ninguém se incomodar e nunca houve problemas”, recorda. Maria Marques assume as saudades que sente de um ambiente familiar entre os moradores da rua. “Era muito engraçado, passávamos os domingos a falar de uma janela para outra a outra. Era como se fossemos uma grande família. Por vezes, quando elas precisavam de alguma coisa, vinham de repente bater à minha casa ou eu à casa delas e ajudávamos-nos mutuamente. Levávamos, também, umas prendinhas – uma rendinha, um bolo, ou isto ou aquilo.. Éramos mesmo família”, diz-nos. “A minha filha, quando eu às vezes não podia estar com ela, porque tinha que trabalhar, era na casa da vizinha que ficava ou nas costureiras embaixo”, ri-se. “Agora não se vê nada disso, perdeu-se esse sentimento..”, desabafa. Para Maria Carvalho, as saudades passam por uma época em que, ao longo de quase 500 metros, as lojas estavam todas abertas, ao contrário do que se pode testemunhar atualmente, bem como um comércio bem caracterizado e definido. “Cada um com a sua área de trabalho ou de venda”, diz. “A minha loja, por exemplo, é de brinquedos, se alguém quisesse um brinquedo, sabia que há partida aqui existia. Agora, as lojas vendem de tudo um pouco e acabamos por não perceber qual é a especialidade da casa”, acrescenta ainda. Ainda num despertar de memórias, Fernanda Correia, da ‘Drogaria Ferreira’, e Andreia Mões, da ‘Drogaria e Perfumaria Cedofeita’, destacam a dinâmica que outrora enchia a rua. “Em agosto eram muitos emigrantes e só se encontravam aqui, como não existiam telemóveis vinham à Rua Direita procurar a malta, era de loucos”, ri-se Fernanda.
 Direita, uma rua que já foi igual ao centro de Madrid
“Na época de Natal, não se rompia com gente nesta rua, tínhamos que parar para as pessoas passarem. A rua era de facto muito movimentada, toda a mercadoria era exposta na rua, fazia-me lembrar o centro de Madrid”, diz, por seu lado, Andreia Mões. Maria de Lurdes Barros, da ‘Artifev’, já estava familiarizada com o comércio local noutra rua da cidade, no entanto acabou por encerrar o seu antigo estabelecimento e conta-nos o porquê da Rua Direita para fixar o atual. Na mesma rua em que, pelo movimento, teria que pedir, por inúmeras vezes, licença furando a multidão, ao qual chegaram a dizer “tão novinha e tão refilona”, contou-nos rindo. “Eu estive na rua de cima, mais tarde fechei e já não pensava em abrir mais nada. No entanto, como o comércio sempre mexeu comigo desde criança, um dia passei aqui e vi esta loja em pedra, pensei, está aqui a minha cara e vou abrir aqui”. Entre histórias e acontecimentos, Maria Carvalho decide, ainda, partilhar connosco um momento caricato vivido nesta rua por um dos seus comerciantes vizinhos. “Lembro-me de uma sapataria, no lugar de um pronto a vestir, em que, uma vez, ouvimos um barulho e pessoas a falar muito alto. Fomos até à porta e, então, vimos o seguinte: uma pessoa tinha comprado uns sapatos e levou-os para casa, mas ao que parece os sapatos descoseram ou descolaram. Conclusão, o cliente atirava os sapatos para dentro da loja e o dono da loja pegava nos sapatos e atirava-os para a rua”, ri-se. “Estiveram ali imenso tempo, cada um a atirar os sapatos (enquanto discutiam). Aquilo terminou quando um indivíduo, que vinha a passar, pegou nos sapatos e disse: ‘Ai ninguém quer o sapato?! Então vão para o lixo’ e o sujeito enfiou-os dentro da papeleira”, conta, enquanto continua a rir. Pedro Belchior, da ‘Chapelaria Confiança’ encerra este capítulo de lembranças com uma história em particular que pinta o cenário de como a rua era diferente. “Há cerca de 15 anos, perto da loja, passou um casal. A senhora vinha de canadianas, já com uma certa idade, e o marido vinha um bocadinho mais à frente. Ela vira-se e diz para o marido: ‘Alargaram a rua!’, ao que ele responde ‘Estás tola’”. Na verdade, “ela, quando cá passava em jovem não conseguia caminhar à vontade, tinha que acompanhar o movimento das outras pessoas. E, como ela tinha tanta facilidade, agora, em passar, disse que alargaram a rua. Não havia um único espaço vazio, era tudo ocupado com negócios e era um número inimaginável de artigos”. Os velhos hábitos são também referidos por muitos comerciantes. Transmitem-nos saudades “de pessoas”, bem como dos tempos em que todos se conheciam e cumprimentavam, numa época em que as pessoas tinham tempo para perguntar aos seus amigos e conhecidos como estavam. “Hoje em dia é tudo uma correria, antigamente, fossemos nós jovens, velhos ou de meia idade perguntávamos sempre ‘Como está? Passou bem?’, ‘Bom dia, como passou?’”, refere Maria Carvalho. Órfeão e os bailaricos Em tempos, a rua foi também marcada pelas suas festividades e animação, parte delas festejadas em instituições lá instaladas. O ‘Órfeão’, uma instituição cultural e recreativa que se formou a 29 de Maio de 1929, é recordado tanto por quem, já com alguma idade, frequentava os tão conhecidos bailes, como pelos que, ainda de tenra idade, não os podiam frequentar. “Fazia-se aqui os bailaricos, assavam sardinha e bebiam uns copos”, conta, com saudade, Carmen Rebelo, da livraria e papelaria ‘Cami’. Estes bailes eram realizados em épocas especiais, mas também durante os fins de semana. Por vezes, contavam até com grupos a proporcionar um momento musical diferente. “Existiam aqui diversos bailes. Recordo-me dos bailes de Carnaval, da Páscoa e da passagem de ano”, diz Maria Carvalho do ‘Bazar Litos’. “E depois havia aqui bailes aos sábados à tarde, ‘matinés”’, refere Fernanda Correia, da ‘Drogaria Ferreira’. “Lembro-me também do grupo (musical) ‘Fórum’ que atuava nos bailes onde íamos dançar”, completa. Henrique Domingos, proprietário da ‘Ourivesaria Domingos’, fala-nos sobre a sua infância e um dos espaços em que costumava brincar. “Era relativamente pequeno, mas recordo-me de estar no ‘Órfeão’, de haver lá bailes e de ser uma instituição onde brinquei. Tinha matraquilhos, mesa de ping pong, um grupo coral e chegou a ter um grupo de teatro. Era uma instituição muito respeitada e muito frequentada pelas pessoas”. Apesar dos referidos bailes, nesta rua também se celebravam datas religiosas, bem como momentos de entretenimento. Passavam várias procissões – a do Corpo de Deus, que saía de São Miguel e acabava na Sé, e a dos Passos – e atuavam diversos grupos de origem popular. “Havia folclore e bombos para baixo e para cima e não era apenas em épocas especiais, era porque assim o entendiam”, conta Maria de Lurdes Barros, proprietária da Artifev. Para os comerciantes, consoante o desaparecimento das festividades, também a alegria da rua foi-se dissipando. “Tudo isso era uma animação aqui na cidade, mas perdeu-se”, desabafa Henrique Domingos Os negócios de antigamente De acordo com os comerciantes, na Rua Direita havia de tudo um pouco. O que era pedido, por norma a rua proporcionava. “Havia tudo na Rua Direita. Desde as tascas, aos latoeiros, lojas de tecidos vendidos a metro, jornais, engraxadores…As pessoas subiam e havia cerca de cinco ou seis cadeiras de engraxadores. Não havia um metro vazio em lado nenhum. Havia gelados, numa fase posterior, mercearias, minimercados, o Orfeão…Havia várias farmácias na Rua Direita…Os alfaiates estavam nos andares superiores…”, enumera Pedro Belchior. Fernanda Correia não esquece as tascas que deliciavam os visitantes e moradores da rua. “Na altura, eram chamadas casas de pasto e vendiam pataniscas de bacalhau, o fígado, os jaquinzinhos com molho de escabeche, as iscas e moelas”, diz. Com a ajuda da memória dos mesmos, elaborámos uma lista com os respetivos locais onde se localizavam alguns dos antigos estabelecimentos que hoje deram lugar a novos negócios.
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