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O apoio municipal aos Bombeiros Voluntários de Viseu foi esta quinta-feira de manhã motivo de discórdia entre executivo e oposição. Tudo porque o apoio especificado no protocolo assinado entre autarquia e Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Viseu (AHBVV) diminuiu de 75000€ concedidos aos bombeiros no ano passado para 40000€ este ano.
Os socialistas fizeram as contas e alegam que, como o protocolo é feito a dois anos, os Bombeiros Voluntários de Viseu perdem, no total, 70 mil euros: 35 mil euros por cada ano. E por isso justificam o voto contra o documento de apoio à Associação Humanitária.
Números que o presidente da Câmara de Viseu rejeita. Diz Fernando Ruas que o apoio aos Bombeiros Voluntários de Viseu não pode ser apenas visto na ajuda protocolar. “Não percebemos o argumento da oposição. Nós não baixámos a ajuda aos bombeiros. Não é verdade. O protocolo tem o mesmo valor, só que a ajuda aos bombeiros não se cinge a isso, nem nada que se pareça. Logo no início do ano comprámos-lhe os capacetes numa importância com bastante significado, ampliámos a ação que se faz na Feira de S. Mateus, um montante com muito significado que reverteu para os Bombeiros e também estivemos presentes a participar na Gala dos bombeiros. Isto é, a fonte de apoio aos bombeiros não foi apenas esta”, assinalou o autarca que, passados uns minutos, concretizou que o apoio relacionado com os capacetes para os operacionais foi de 25 mil euros.
O documento de ajuda foi assinado no passado fim de semana e Ruas diz que encontrou Carlos Costa, presidente da AHBVV “naturalmente satisfeito com a comparticipação da Câmara, referindo que o dirigente não se queixou do montante em causa, apenas o fez em outras situações “como o preço do gasóleo”.
O autarca reforçou que “em relação aos Bombeiros ou a outra instituição qualquer” a autarquia apura o que dá em diferentes fontes. “A Câmara adiantou o dinheiro dos capacetes: 25 mil euros. Isto é um apoio. Quando fizemos o protocolo, fizemo-lo do restante. Sei que é muito fácil estar sempre a pedir mais e votar contra”.
Foi essa a posição assumida pelos socialistas no executivo: o voto contra. O antigo candidato do PS à Câmara de Viseu, João Azevedo entende que autarquia “fez cortes na Educação, na água, na Proteção Civil e bombeiros voluntários”. O vereador socialista disse que o executivo liderado por Fernando Ruas está a optar por um “desinvestimento nas pessoas e nas instituições”. O socialista critica estas decisões referindo que estas medidas não vão ao encontro de um território “que se quer competitivo e com mais pessoas” e não significam “esperança nem futuro”.
Em nota enviada ao Jornal do Centro, os socialistas de Viseu dizem que “o protocolo assinado entre a AHBVV e a Câmara Municipal não espelha, nem as reais necessidades dos Bombeiros Voluntários, nem os motivos que justificam a diminuição do subsídio de 75000€ para 40000€”. O PS diz que “a questão que se coloca, é o que é que a AHBVV deixou de fazer no âmbito das suas competências para sofrer este corte de 35.000€”.
Contactado pelo Jornal do Centro, Carlos Costa, presidente da AHBVV, referiu que a questão colocada pelos socialistas “é uma acusação que não tem qualquer tipo de fundamento”, acrescentando que “só pode fazer esta acusação quem desconhecer por completo a realidade, quer dos bombeiros, quer da relação entre a associação humanitária e a Câmara Municipal”.
O dirigente nega que o apoio prestado pela Câmara de Viseu aos Bombeiros Voluntários tenha diminuído. “O protocolo este ano tem efetivamente um valor mais baixo do que o do ano passado. Agora, o global de todas as rúbricas, assemelha-se”. Na prática, diz Carlos Costa, o somatório dos vários apoios irá dar o mesmo valor de apoio do que aquilo que a AHBVV recebeu nos outros anos.
O presidente dos Bombeiros Voluntários de Viseu confirma o valor da oferta da autarquia para os capacetes dos profissionais e lembra mais apoios. “Tanto em 2020, como em 2021, não houve a Feira de S. Mateus nem outras atividades de onde vêm receitas para os bombeiros e a Câmara entendeu e quis recompensar-nos de alguma maneira. Este ano já houve Feira de S. Mateus, tivemos direito ao dia do bombeiro em que tivemos uma receita interessante: mais de 17 mil euros”. Se formos corretos, se somarmos todos os valores que já foram transferidos ou que ainda vão ser para a Associação, nós, inclusivamente, esperamos ultrapassar o que nos foi dado no ano passado”. Carlos Costa refere mesmo que o dinheiro angariado no dia do bombeiro na Feira Franca foi “dos valores mais elevados” de que tem memória.