Rui Lage nasceu em Luanda, Angola. Aos quatro anos mudou-se com a família para a região de Viseu, cidade que trocou, entretanto, por Genebra, na Suíça.
Em Portugal, esteve à frente de uma loja e foi treinador de futebol, tendo passado por clubes como o Carregal do Sal e o Nelas. Há dois anos mudou-se para terras helvéticas, onde já viviam a irmã e o cunhado.
“Emigrei porque tinha a necessidade de melhorar e organizar a minha vida”, explicou ao Jornal do Centro.
Em Genebra, Rui Lage trabalha numa empresa de limpezas. Para não se afastar do mundo do futebol, à chegada procurou rapidamente entrar num clube helvético.
“Neste momento sou treinador de uma equipa portuguesa, a FC APG (Associação Portuguesa de Genebra) e jogo na competição dos atletas com mais de 40 anos da mesma equipa”, contou.
Segundo o técnico português, na Suíça existem “várias competições” em contexto amador para jogadores com 30, 40 e 50 anos ou mais anos. “Há uma pausa de inverno por causa das condições climatéricas”, acrescentou.
Rui Lage assume que a mudança de país, nos “primeiros meses” não foi fácil. “Cheguei no outono, a adaptação, a falta da família e amigos, a língua francesa, foram dias muito cinzentos e complicados de ultrapassar”, revelou.
Aos poucos, adiantou, foi-se integrando. “Sem dúvida que o Futebol nos traz muitas coisas boas, comecei a conhecer novas pessoas, a fazer novos amigos, mesmo ao nível do trabalho, os proprietários da Empresa (N’services) são portugueses e fui bem recebido e muito bem tratado”, disse.
Na Suíça nunca se sentiu discriminado ou posto de lado por ser estrangeiro. O que mais gosta é a beleza da cidade onde vive e trabalha, Genebra, “principalmente no verão”.
“A cidade acaba por nos dar quase tudo, tem um lago enorme. Ao nível da alimentação existe muitos restaurantes portugueses e há também mercados que vendem produtos vindos de Portugal. O país no geral é muito bonito, as paisagens, as montanhas, os lagos e o encanto da neve”, frisou. De negativo aponta apenas o facto de a cidade que o acolheu ser “muito cara”.
Por norma, o técnico desloca-se a Portugal de dois em dois meses para matar saudades dos que mais ama, a família e os amigos “que mesmo longe nunca falham”.
“Sinto falta de ver o `meu´ Académico, da minha segunda casa, o `Fontelo´. Hoje em dia torna-se um pouco menos doloroso [estar longe] por causa das novas tecnologias. Tento falar frequentemente com as pessoas, com o meu filho como é normal é diário o contacto, mas acaba sempre por faltar algo”, confessou.
Voltar a Portugal em definitivo é um desejo. Rui Lage garantiu que sem “dúvidas” quer regressar. “Viseu será sempre a minha cidade”, concluiu.