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A Feira de São Mateus está a ser acusada de discriminação. Em causa o torneio de padel que integrou a programação da Feira Franca deste ano. No torneio, e de acordo com o regulamento, o pagamento feito a homens e mulheres é diferente.
A modalidade padel é organizada de acordo com categorias (1,2,3 e 4). Neste torneio integrava-se apenas os níveis 2,3 e 4. Verificando o regulamento oficial pode ler-se que M2 (masculinos nível 2) dava à dupla vencedora 90euros e aos segundos classificados, 50 euros. No M3 (masculinos nível 3), a dupla vencedora ganhou 80 euros, os segundos colocados conseguiram 45 euros. No M4 (masculinos nível 4), a dupla vencedora auferiu 70 euros, a dupla que ficou em segundo lugar teve direito a 40 euros.
Ora, no caso do padel feminino, as jogadoras só podiam inscrever-se na categoria F4 (que incluía níveis 3 e 4) e a dupla vencedora ganhou 50 euros e quem ficou em segundo lugar, auferiu 30 euros. Sendo que o pagamento para jogar no caso de homens e mulheres foi igual.
É esta diferença nos prémios aos vencedores que Manuela Antunes, ex-candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Viseu considera “inqualificável”. A bloquista explica que “este Torneio de Padel integra o programa da Feira de S. Mateus que é um evento patrocinado e promovido pelo município de Viseu e pela Viseu Marca”, assinalando que “o grave é um organismo do Estado a promover a desigualdade”.
Manuela Antunes diz ao Jornal do Centro que já tentou perceber junto da organização do Torneio de Padel o porquê desta diferença nos prémios de jogo. “Uma das justificações que foi apresentada foi haver menos duplas [nas mulheres]. Ou seja não há justificação. Infelizmente isto pratica-se no país todo em várias modalidades. Não se justifica termos tantos dinheiros públicos gastos a promover a igualdade de género se depois na prática o dinheiro da mulher vale menos do que o de um homem no ato de inscrição de uma competição”, assinala.
A bloquista sustenta que esta é uma situação “inaceitável” e que a preocupação do Bloco é “denunciar e falar com as pessoas para aprenderem com os erros”. “Isto está de tal maneira instituído que há pessoas que nem pensam de outra maneira. Espero que para o próximo ano em Viseu esta situação seja corrigida, quer nesta modalidade, quer noutras”, assinala Manuela Antunes lembrando que o município aprovou há pouco tempo um plano municipal para a igualdade de género. “Como é que depois de aprovar um plano se permite uma situação destas?”, questiona a bloquista.
Os bloquistas prometem enviar queixa para a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), Viseu Marca e Câmara de Viseu. “Vejo pouca intervenção a nível desportivo. Há pouca conversa e discussão sobre o desporto no feminino principalmente em modalidades que impliquem prémios de jogo ou ordenados nas jogadoras. É uma discussão que tem de fazer-se a nível nacional. Quando se representam as seleções nacionais, o prémio de jogo para quem as representa ou quem vai aos Jogos Olímpicos tem de ser igual. Não sei se já está definida a completa igualdade”, refere Manuela Antunes.
O Jornal do Centro contactou Pedro Alves, presidente da Viseu Marca que garante ter já sido resolvida a situação. “As mulheres estão a receber o prémio igual ao dos homens. Tomei conhecimento já na entrega de prémios. Passou ao lado da direção, uma vez que na Meia Maratona o prémio era igual para homens e mulheres”, garante.
“Assim que se deu a entrega de prémios, uma atleta confrontou-me com a situação e disse-lhe que pedia desculpa e que não sabia da situação. Não sabia dos valores em causa e disse-lhe que íamos corrigir isso e está corrigido”, assegura Pedro Alves.
A justificação, diz o responsável pela Viseu Marca, está no quadro competitivo que foi entregue à organização da Feira. “É assim nos torneios de padel. Não foi decisão nossa. A organização fez a mesma coisa em função dos torneios deles”, assinala.