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Francisca e Matilde, de 15 anos, e Andreia, de 14, foram três das cerca de duas centenas de participantes da Marcha de Viseu pelos Direitos LGBTQIA+, que este domingo (9 outubro) voltou a sair a rua.
Com o mote “Um Movimento em Marcha!”, os gritos de luta pela igualdade fizeram-se ouvir e entre os presentes foi possível ver dezenas de jovens com idades muito parecidas a Francisca, Matilde e Andreia.
As três amigas são gay e contam que cabe-lhes a elas e à sua geração lutar pelos direitos de quem, como elas, só quer “ser feliz”. “Nós vamos ser o futuro e temos uma mente mais aberta e penso que isso é importante para ajudarmos a mudar alguma coisa”, desabafa Andreia.
A jovem conta que sair à rua ainda é preciso, para que se despertem cada vez mais consciências. “Infelizmente, em 2022, há ainda muita homofobia e muitas vezes nem sequer somos respeitados dentro de casa, ou tão bem aceites. É importante para lutarmos por nós e porque quem, infelizmente, já não pode”, atira.
Também Francisca acredita que a luta, seja nas ruas, ou em qualquer lado, é fundamental para garantir os direitos de toda a comunidade LGBTQIA+. “Espero que um dia já não seja preciso fazer isto para termos os nossos direitos. Se eu gosto de uma pessoa eu tenho medo de sair à rua com ela, por causa dos olhares e comentários e isto é muito importante para mudar isso”, garantiu.
Com Francisca, Matilde e Andreia estava a mãe desta última, que fez questão de dizer que “o mais importante é que sejam felizes”. Andreia aproveitou para contar que com a mãe não foi difícil assumir a orientação sexual, com o pai não foi bem a mesma coisa.
“Quando me assumi foi um choque de realidade, porque a educação da minha mãe também foi diferente e provavelmente ela projetava outras coisas para mim. Mas ela aceitou-me e diz que tem orgulho em mim. O meu pai já não foi tão fácil, mas respeita. E, depois tenho a minha irmã que é um apoio enorme”, conta a jovem que decidiu assumir-se exatamente no dia da última edição da Marcha.
Já no caso de Francisca, apenas os pais sabem que é lésbica. A jovem conta que não é uma situação fácil, sobretudo quando acontecem os tradicionais almoços ou jantares de família.
“Sou assumida para os meus pais, mas para outros elementos não. E é tão chato ir a almoços ou jantares de família onde todos levam os parceiros, mas eu não poder levar a pessoa que gosto por medo de comentários”, conta a jovem que descobriu a sua orientação quando tinha 12 anos, acabando por assumir-se em 2019.
Esta quinta edição voltou a ter como ponto de partida o Parque de Merendas do Fontelo, onde aconteceram os discursos de várias intervenientes, entre eles a vereadora da Câmara de Viseu, Leonor Barata.
Pela primeira vez, de forma oficial, a autarquia participou na Marcha, na sua intervenção Leonor Barata fez questão de sublinhar que a cidade está com a comunidade LGBTQIA+
“Não há duas cidades, não há dois lados da mesma barricada. Estamos juntos”, disse a vereadora que também aproveitou para lembrar que apesar de o caminho não ser fácil esta marcha “é a prova de que todos podem ser aquilo que realmente são”.
Leonor Barata falou ainda da importância de intervir na educação e pediu um país livre “onde amar e ser amado não é crime”.